Negritude e Tradução; Caderno de Literatura em Tradução n.16

Por Pedro Neto

“Negritude e Tradução é o novo e *im-per-dí-vel* número especial da Cadernos de Literatura em Tradução, editada com esmero por Dennys Silva-Reis e Lauro Maia Amorim” diz a professora Telma Franco Diniz da Universidade de São Paulo e membro da equipe editorial da Caderno de Literatura em Tradução, uma co-edição do Departamento de Letras Modernas e do CITRAT – Centro Interdepartamental de Tradução -, ambos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Capa - Reprodução

Capa – Reprodução

Na apresentação, os professores Dennys Silva-Reis e Lauro Maia Amorim buscam responder a pergunta: Por que há tão poucas traduções de autores negros no país? no artigo intitulado Negritude e tradução no Brasil: O legado do Barão de Jacuecanga.

No capítulo Aspectos Linguísticos da Tradução e Negritude, o professor Marcos Bagno da UnB discorre sobre “O impacto das línguas bantas na formação do português brasileiro”, o professor Luis Henrique Labres da PUCRS mostra um estudo sobre dialeto falado principalmente na Jamaica e em outras ilhas caribenhas no artigo “Traduzindo neologismos ideológicos” e o professor Tiganá Santana Neves Santos da USP em seu artigo “A tradução de sentenças em linguagem proverbial e o diálogo com o pensamento bantu-kongo a partir de Bunseki Fu-Kiau” traz referenciais de linguagem e pensamento da cultura bantu-kongo.

No capitulo Tradução e Negritude – Aspectos Teóricos a professora da UFBA Denise Carrascosa discorre sua trajetória de pesquisa sobre tradução entre as literaturas afrodiaspóricas no artigo “Traduzindo no Atlântico Negro: por uma práxis teórico-política de tradução entre literaturas afrodiaspóricas”, a professora Lilian Ramos da Silva da UFRGS reflete sobre as parcas traduções no Brasil de obras negras no artigo “A voz do protagonista afrodescendente em romances históricos hispano-americanos: invisibilidade do texto original e algumas (poucas) obras traduzidas no Brasil”, a professora Giovana Cordeiro Campos de Mello da UFF/Labestrad discorre sobre “O Livro de Falas no Brasil e nos E.U.A: percursos literários e tradutórios”, no artigo “Ramais de tradução: Diário do hospício e outros escritos de Lima Barreto” os professores da UnB Sidnei Sousa Costa E Sidney Barbosa buscam identificar aspectos da tradução em alguns escritos de Lima Barreto.

No capitulo Traduções Comentadas o professor Pedro Tomé da USP apresenta uma proposta de tradução para o poema “Morning After”, do poeta negro estadunidense Langston Hughes, o professor da Universidade Estadual Paulista Lauro Maia Amorim traduz e comenta três poemas da premiada poeta afro-americana Gwendolyn Brook, os professores Nylcéa Thereza de Siqueira Pedra, Phelipe de Lima Cerdeira da Universidade Federal do Paraná apresentam a tradução do conto “La mujer negra del río”, do escritor costarriquenho Fabián Dobles, traduzido pela primeira vez para o português brasileiro, a professora Cibele de Gadalupe Sousa Araújo da Universidade Federal de Goiás traz uma tradução comentada de um conto da escritora zimbabuense Yvonne Vera.

No capitulo Traduções Não Comentadas a professora Jessica Oliveira de Jesus da UFSC traduz o primeiro capítulo do livro “Plantation Memories: Episodes of Everyday Racism” (Memórias do Plantation: Episódios do Racismo Cotidiano) da escritora, teórica, psicóloga e artista interdisciplinar Grada Kilomba, as professoras Tatiana Nascimento dos Santos e Priscila Francisco Pascoal traduzem a poeta, novelista e documentarista Dionne Brand, o professor Marcos Bagno traduz Léon-Gontran Damas e o professor Dennys Silva-Reis traduz Elie Stephenson.

No ultimo capitulo os professores Dennys Silva-Reis e Lauro Maia Amorim trazem uma Entrevista com Marcos Marcionilo.

Na imagem da capa: Nkisi. Ilustração de Pedro Neto (Inatobi) inspirado em estátua inquice da República Democrática do Congo, República do Congo, Cabinda (Angola), Kongo, século 19. A peça que se encontra sobre a cabeça, trabalhada com ornamentos espiralados, cria um dinamismo que se contrapõe às faixas pendentes da vestimenta, cujos nós serviam para lembrar o nkisi de cada um dos pedidos. É muito provável que não se trate de representação de um penteado, mas da simbolização de crescimento e longevidade.

O caderno esta disponível no link: www.revistas.usp.br/clt/issue/view/8670

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