Seminário apresenta boas práticas na produção cultural negra do Maranhão

Por Adriana Barbosa

Conhecimento, qualificação profissional, dedicação e criatividade foram os pontos indicados como essenciais para alcançar o sucesso da produção cultural negra no Maranhão, durante o Seminário de Boas Práticas na Produção Cultural Negra: Experiências Empreendedoras no Maranhão.
O encontro foi realizada no dia 05 de novembro pela Secretaria de Estado da Igualdade Racial (Seir), por meio do Comitê Gestor da I Feira de Cultura Afro-Brasileira do Maranhão, composto pelas secretarias de estado de Igualdade Racial, Cultura, Turismo, Trabalho e Economia Solidária e Comunicação Social, Serviço de Apoio à Micro e Pequenas Empresas do Maranhão (Sebrae/MA) e a Associação de Trancistas do Maranhão.
 
A atividade teve a coordenação do secretário adjunto da Igualdade Racial, Adnilson Pinheiro, e participação da assessora do Programa Mais Cultura (Secma), Edna Matos, e de representantes de instituições parcerias como Centro de Cultura Negra (CCN/MA), Grupo de Dança Afro Malungos (GDAM), Instituto de Desenvolvimento Social Integrado (IDESI), Boi da Floresta de Mestre Apolônio e Associação de Trancistas do Maranhão “Mãos que Entrançam”, que falaram sobre as experiências empreendedoras desenvolvidas nas comunidades onde atuam.
“O seminário é uma forma de divulgarmos as práticas de empreendedores negros que tem tido bons resultados na geração de negócios e renda. É também uma espécie de preparação para a I Feira de Cultura Afro-Brasileira do Maranhão, que além de ser uma vitrine para os produtos também será um espaço de reflexão, capacitação profissional e valorização da cultura negra.”, explicou Adnilson Pinheiro.
Para Nadir Olga Cruz, coordenadora do Boi da Floresta, a qualificação profissional e a formação superior foram determinantes para que o grupo desenvolvesse seu potencial empreendedor. “O grupo vinha enfrentando dificuldades, principalmente financeiras. A saída foi buscar alternativas para geração de renda, e uma delas foi investir na capacitação dos integrantes com a realização de oficinas onde eles aprendem a costurar, bordar, enfim, confeccionar as indumentárias do grupo e gerar outros produtos”, afirmou.
 Atualmente, Nadir Cruz ainda presta consultoria para outros grupos que tenham interesse em elaborar projetos, concorrer a editais, realizar oficinas, entre outras ações. Além das apresentações do bumba meu boi e do tambor de crioula nas festas juninas, o Boi da Floresta desenvolve ainda projetos para melhoria da qualidade de vida dos componentes, como o Floresta Criativa que capacita jovens e adolescentes por meio de oficinas trimestrais de dança, percussão, confecção de careta de cazumba e bordado com canutilho.

Brincantes do Boi da Floresta exibem bordados feitos pelo próprio grupo

Após as apresentações locais, foi a vez da presidente do Instituto Feira Preta, Adriana Barbosa, falar sobre a Feira Preta, realizada anualmente em São Paulo, considerada o maior encontro de cultura negra da América Latina. O objetivo do evento é difundir costumes e tradições da cultura negra e fomentar negócios de empreendedores da comunidade negra. Ela destacou que  na produção cultural negra, além da valorização da identidade e tradição tão característica desse segmento, é preciso que haja o maior investimento na qualidade dos produtos.
“Para que os produtos com características afro-descendentes sejam mais consumidos e valorizados é preciso que eles ofereçam qualidade e potencial de comercialização assim como outros produtos de empresas de grande porte.”, opinou Adriana Barbosa.
O encontro contou ainda com a participação do professor do curso de Design da UFMA, Chico Lobo, que também é consultor do Sebrae, falando sobre o mercado para negócios criativos.
O Seminário de Boas Práticas na Produção Cultural Negra: Experiências Empreendedoras no Maranhão integra as ações de formação da I Feira de Cultura Afro-Brasileira no Maranhão que tem o tema: “Cultura, Educação, Cidadania e Economia Criativa”. A feira será realizada nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro, no Ceprama, encerrando o Mês da Consciência Negra no Maranhão.
A feira é uma realização do Governo do Estado, por meio da Seir, e tem parceria da Fundação Cultural Palmares; e apoio das secretarias de estado do Turismo, Cultura, Comunicação Social e, Turismo e Economia Solidária; Sebrae/MA; Fundação Municipal da Cultura; e Banco do Nordeste.
Os interessados em participar devem preencher a ficha de inscrição  e encaminhá-la ao Comitê Gestor da feira para avaliação e seleção. O Documento Orientador da I Feira de Cultura Afro-Brasileira do Maranhão e a Ficha de Inscrição podem ser solicitados pelo telefone (98) 2108 9124 e pelo email secigualdaderacial@yahoo.com.br.

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