Ilê Ayê aos 40 anos no Curuzu, grita a Liberdade

Por Luiz Paulo Lima

Ilê-Aiyê/divulgação

È impossível passar em branco as comemorações dos 40 anos da nação mais negra do país. “…Eu quero ver você Ilê Aiyê passar por aqui…”, diz a letra do clássico “hit” cantado por mais de 5 mil pessoas descendo a ladeira do Curuzu rumo ao Campo Grande todos os anos no carnaval baiano.
Todos sabem que essa entidade nasce sobre o manto sagrado no Terreiro de Candomblé de nação Gêge – Ilê Axé Jitolu, zelada pela Mãe Ilda falecida, substituída pela filha biológica Yalorixá Ildelice Benta dos Santos.
O Ilê é um território que jamais foi gueto, resiste a Indústria do carnaval que já não é brincadeira no país, imagine naquele estado que montam todos os esquemas das arrecadação de recursos financeiros com o turismo, beneficiando os mesmos com incentivos, e deixando para segundo plano organizações como o Ilê que nasceu para mudar os paradigmas das festas populares do Estado.
Apesar de fazer parte de uma festa profana, mantém os valores da sua base de formação no Candomblé, respeito aos mais velhos, convivência na vida social, o simbólico representado nas musicas, instrumentos musicais, roupas, corporalidade sem ultrapassar a tênue linha que separara o sagrado.
A Educação protagonizado pela Mãe Ilda, é o maior dos investimentos que a entidade desenvolve para além do carnaval. Manter um centro de formação de cidadãos, resgate da auto-estima e formação de consciências.
São varias as atividades em comemoração aos 40 anos de vida e bons serviços prestados. Começou pela definição do tema enredo para o carnaval de 2014, “Do Ilê Axé Jitolú para o mundo. Ah se não fosse o Ilê Aiyê”.
A intenção foi contar a história do carnaval antes da criação do bloco e os benefícios criados a partir da iniciativa dos jovens do Curuzu inventar essa referência da cultura negra baiana.
Foi inaugurado na semana passada dando início as comemorações, a inauguração o estúdio “ Senzala do Barro Preto”. Ainda nos aguarda como afirma Antônio Carlos Santos, o “Vovô” do Ilê, o lançamento de um livro, um box de Cd´s do Ilê, sem dizer do primeiro DVD, gravado no verão na Concha Acústica.
Narrar a história do povo negro na diáspora africana, se tonou marca dessa instituição, que fala com dengo, sensualidade, amor e consciência. Como diz as poesias cantadas bem perto ao coração, “…a esperança de um povo, que vivesse num mundo melhor, Liberdade, igualdade e respeito, eu quero direito sem o preconceito, Liberta eu…” o resto é, nega … “ me pegue agora, me dê um beijo gostoso, pode até me amassar, mas me solte quando o Ilê passar….”.

Comments: 2

  • Mayara Paixão novembro 08, 2013

    Parabéns para o mais belo dos belos… axé pra todos que construiram essa história linda , muitas felicidades… Ile Aiyê viva mãe Ilda Jitolu, \o/

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