Como foi o XIV Alaindê Xirê 2013

Por Pedro Neto

Nascimento do Nascimento que nos Traz o Existir

Alaiandê Xirê 2013 – SP

Pai Air Banboche e Tata Tauá + Adriano do Afonja, Pedro Neto e Donato nos tambores – foto Sandra Campos.

“Iya iya o!

Bori ala

Keto Baba!

Dugbe dugbe Alado firo,

Iya ope l`aiye

Oh, Mãe, Mãe,

Cabeça que nos cobre

Com coisas boas!

Assim como Xangô imortaliza o relâmpago no ar.

Mãe, estaremos sempre gratos ao mundo por vossa existência.”

 

O XIV Alaindê Xirê – Seminário e Festival Internacional de Culturas Africanas e Afro-brasileiras que ocorreu entre os dias 30/10 e 02/11/2013 no Ilê Afro Brasileiro Odé Loreci, na cidade de Embu das Artes em São Paulo contou com a presença de 350 pessoas ao longo dos quatro dias. Impossível descrever em palavras.

O seminário contou com a presença de pesquisadores e intelectuais de Cuba, Moçambique, EUA, França, Nigéria e de várias universidades brasileiras. Os debates percorreram os temas propostos, cultura, educação, música, religiosidade, racismo, entre tantos outros assuntos acerca das culturas negras da diáspora.

Também participaram autoridades públicas como o Sr. Chico Brito – Prefeito de Embu das Artes, bem como a Coordenadora de Igualdade Racial da cidade de Embu das Artes a Sr. Marisa Araújo, a Profa. Silvany Euclênio (Secretaria de Comunidades Tradicionais da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR – PR), o Sr. Américo Córdula (Secretário de Politicas Culturais do Ministério da Cultura do Brasil), o Sr. Valério Benfica (Representante Regional do Ministério da Cultura no Estado de São Paulo), Sra. Fátima Gazal e Sr. Márcio Santos (Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo), a Sra. Rocio Ortega (Senado Federal do Paraquay).

Salão nobre no Ile Odé Loreci – foto Sandra Campos.

Entre dezenas de autoridades dos povos de matriz africana estiveram presentes Roberval José Marinho (Lojutogun do Ilê Axé Opô Afonjá, doutor em Artes pela USP e professor da UCB e Presidente do Instituto Alaiandê Xirê), Rita Virgínia Rodrigues do Rio (Omorogba do Ilê Axé Opô Afonjá e Vice Presidente do Instituto Alaiandê Xirê), Iyalode Omoriyeba Silifatu Lasisi e Iyalode Mopelola Osunfumike Oladejo (sacerdotisas responsáveis pelo culto de Logunéde em Ibadan na Nigéria), Ayoade Kazeem Adeleke (babalaô nigeriano), Adrianinho e Guelê (Alabês do Ile Axé Opo Afonjá – BA), Pai Air Bamboche do Pilão de Prata – BA, Mãe Sylvia de Oxalá, Mãe Pulquéria, Mãe Luizinha de Nanã, Tata Tauá, Tata Walmir Damasceno, Toy Márcio de Boço Jara da Casa das Minas de Toya Jarina, Pai Toninho de Oxum, Mãe Carmem de Oxum, Sr. João Batista Araújo da Federação Umbandista do ABC.

Durante o seminário foram assinados listas para solicitação de patrimônio material e imaterial do Terreiro de Candomblé Santa Bárbara (o mais antigo que se tem noticias em São Paulo), o Santuário Nacional da Umbanda na cidade de Santo André e o próprio Ilê Afro Brasileiro Odé Loreci.

Outra atividade importante foi a Roda de Conversa sobre o I Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, coordenado pela SEPPIR, com a presença de importantes lideranças religiosas, políticas e acadêmicas que discorreu sobre o conjunto de políticas públicas que buscam a garantia de direitos, a proteção do patrimônio cultural e da tradição africana no Brasil. Além do enfrentamento à extrema pobreza com ações emergenciais e de fomento à inclusão social produtiva e Desenvolvimento Sustentável.

A alimentação – almoço, jantar e cafés – preparados pela equipe do Ilê Afro Brasileiro Odé Lorecy e a pequena livraria também foram pontos fortes do evento, foram vendidos, a preço de custo, cerca de 85 livros, além dos lançamentos: Obàtálá e a Criação do Mundo Yorùbá de Luiz L. Marins e Ensaios sobre raça, gênero e sexualidades no Brasil de Jocélio Teles dos Santos.

Livraria faz a diferença foto Sandra Campos

Nas apresentações culturais o DJ Eduardo Brechó surpreendeu a todos com uma lista de músicas inspiradas nas culturas negras. No outro dia foi a vez do impecável Samba de Roda de Nega Duda.

            Baba Ògúndáre (Anfitrião, Bàbálórìsà do Ilê Afro Brasileiro Odé Loreci), Aulo Barretti Filho (Presidente e pesquisador da Funaculty e Bàbálórìsà Kétu) e Vagner Gonçalves da Silva (Professor do Departamento de Antropologia da USP, Coordenador do CERNe) membros da Comissão Organizadora ressignificaram o seminário e festival. Transformaram o Alaiandê Xirê no maior espaço de articulação entre os fazedores das culturas dos candomblés brasileiros, intelectuais e pesquisadores.

A Comissão Organizadora com o apoio do CERNe (Centro de Estudos das Religiosidades Contemporâneas e das Culturais Negras) do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo e da Àgò Lònà Associação Cultural irá produzir uma publicação com todo conteúdo debatido durante o Alaiandê Xirê.

Foto capa – iniciados do Ile Ode Loreci foto Sandra Campos.

Comments: 6

  • lau
    Lau Francisco novembro 06, 2013

    Parabéns pela iniciativa!!

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  • Aulo Barretti Filho novembro 06, 2013

    O artigo ficou ótimo, meu querido neto Inátobí.

    Mil bjs do seu avô

    Aulo de Osoosi e Andréia, Ìláyá de Yemonjá.

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  • Pedro - Ogan de Obalwayé - Babá Olutolá novembro 07, 2013

    Um festival para ficar na lembrança por muitos e muitos anos!

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  • ANA RITA novembro 08, 2013

    foii a primeira vez mas gostaria de participar dos próximos

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  • joao lucio pretti novembro 13, 2013

    Parabens pelo relatório Pedro. Este evento ficará na historia do Ile Ode Lorecy.

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  • Irene novembro 14, 2013

    Foi muito chic participar desse evento. Parabéns aos organizadores!

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