Da” Virada “rumo a inclusão

Por Luiz Paulo Lima

Por Luiz Paulo Lima

Um palco pequeno , isolado dos grandes “territórios oficiais” montados estrategicamente no centro expandido da cidade, mas com muitos significados. Foi uma lição política e ao mesmo tempo um grande encontro emocionante do que essa linguagem musical tem de melhor na cidade, as comunidades do samba.
Mal amanhecia o sábado 18\05, a Sambistica produções , responsável pela organização desses dois dias de festa tradicional e contemporânea, coordenou e meteu a mão na massa como se fala no popular, tudo para oferecer as melhores técnicas dos espetáculos e a dignidade possível , para todos os artistas e públicos envolvidos.
Começou pontualmente às 18hs , com o “Samba de todos os tempos” , um grupo que resgata o gênero tradicional e visibiliza novos talentos na Zona Sul da cidade. O público foi chegando devagarinho, informados pelas redes sócias e do boca a boca. Nada de divulgação oficial e tão pouco de presenças de “celebridades” políticas e badalações.


O que vimos e quantificamos,  foi que passaram por lá em torno de três mil pessoas interessadas em valorizar o que a “Comissão organizadora  oficial” não deu o devido reconhecimento e respeito . Foram momentos inesquecíveis com as Velhas Guardas do Nenê da Vila Matilde e do Camisa Verde e Branco, Oswaldinho da Cuíca, Wilson Sucena do Boca da Noite, Samba da Feira, Tomando Partido e fechando com essa primeira noite , Magno, Maurilio, Yvison, Everson e Vitor Pessoa, o “Quinteto em Branco e Preto”.
Como o samba pediu passagem e não pode parar , mesmo na madrugada muito fria, os que lá permaneceram foram aquecidas pelo Pagode da 27, Terreirão do Renne Sobral,Marquinho Jaca, Samba da Ponte e o Berço do Samba de São Mateus diretamente da Zona Leste, já no horário do almoço de domingo.
Curiosidades que valem  destacar  foram que neste palco e no entorno próximo,  não houveram nenhum registro de incivilidade, ao contrário de outras, inclusive com duas mortes ocorridas. Por aqui, só vida, diversão e compromisso com o samba e a cidade. O local foi preservado, nada de destruição do patrimônio material, limpeza e educação. Parece que foi exemplar e que esse comportamento sirva de referência  para os gestores em projetos públicos.


Para concluir não posso deixar de registrar uma justa homenagem  feita por todas as comunidades “in memoriam” a um grande sambista paulista.  Ao fundo do palco um banner identifica um personagem, que não passou pela vida desapercebido. Trata-se do sorriso, voz e poesia de Hélio Rubi da Comunidade do Kolombolo da Vila Madalena. Uma ausência que se fez reconhecidamente presente.
E encerrando a versão do projeto 2013, com o Corinthians ganhando o título paulista, os atacantes do time do samba, Magnu, Chapinha, Maurilho, Presidente Pakuera,Brão Lopes e a Fernanda “Bagunça” de Paula, comandaram em grande estilo , com toda a Comunidade do Samba da Vela no palco, cantando o clássico “A Comunidade Chora”, para a alegria de todos que lá estiveram .

Luiz Paulo Lima

Luiz Paulo Lima

Jornalista, BK4 Comunicações

Comments: 2

  • Edy sampa maio 22, 2013

    Belíssima matéria Luiz Paulo Parabéns!!!O Samba e os Sambistas de Sampa lhe agradecem!!!!

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  • Angelina Castro maio 22, 2013

    Parabéns pela matéria!!! É o samba dando seu recado e provando mais uma vez que “quem tem o samba na veia é mais… muito mais!!!!”

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