A NETSHOES “…ou é ruim da cabeça, ou doente do pé…”

Por Fabio Amarantes S

É lamentável que ainda impere a insensibilidade em alguns gestores de marketing no momento que a gestão da marca é um ponto fundamental para o fortalecimento e sobrevivência das empresas; como por exemplo podemos citar o despreparo desse ou dessa “profissional” da área que aprovou uma campanha lamentável como esta, intitulada #netshoes Lollapalloza, criada provavelmente pela agência de publicidade ou pela House da empresa (uma agencia interna que trabalha dentro da empresa), caso haja uma. Mas lembremos que a fonte da criação ou a executora do briefing, não invalida da responsabilidade o(a) responsável pela aprovação de uma campanha repleta de atos preconceituosos.
Vamos ao filme: Observem o que nos preocupa nessa campanha, ao demostrar uma cena de uma das expressões musicais mais importantes da nossa cultura Brasileira, o Samba: o mesmo não vai receber a encomenda/presente da Netshoes, entregue para quase todos os outros ritmos e para piorar, os músicos são trancados no camarim pela mãos ambulantes e a chave e jogada fora e senão bastasse em outra cena, o vídeo fortalece um estereótipo que “todos” os músicos de reggae são usuários de cannabis sativa -THC. Para ajudar mais ainda no lamaçal que a empresa com essa “obra”- filme adentrou, o criativo e o aprovador, ainda deixaram que um modelo branco fosse pintado de negro, em tempos que muitos estão discutindo ações afirmativas e diversidade em todos os âmbitos da sociedade, com mais essa a empresa conseguiu se afundar mais ainda. Mesmo que, no final do filme com a tentativa de justificar os atos cometidos no mesmo, e assim validar as tais ações das misteriosas mãos ambulantes do entregador, nesse exato momento é revelado em plano americano que aquelas mãos tem um corpo e ele é um amante do Rock and roll e colaborador uniformizado com um enorme logo da Netshoes no peito. “LamAntável “oops. Lamentável criativos e marketeiros, um final aprovado que não justifica as ações discriminatórias da peça veiculada.
Como brasileiro, negro, consumidor e profissional da área de comunicação e amante dos diversos ritmos nacionais, expresso aqui a minha indignação e repúdio, por qualquer campanha publicitária ou propaganda que fortaleça as ações preconceituosas, racistas, sexistas ou discriminatória, usando ou não mensagens subliminares para atingirem os diversos objetivos mercadológicos.
Acredito que o mesmo filme poderia atingir o público-alvo da marca e do festival e o desejado aumento do market-share no setor dos sites de venda ou e-commerce, criando ações positivas, agregadoras vinculadas a marca e as diversas formas de expressão artística, esportiva e cultural, que nosso país tem e luta todos os dias para se fortalecer e ser respeitada internamente diante a grande oferta legal e natural das expressões estrangeiras que conhecemos.

Mais amor, por favor.

Fábio Amarante

 

Comments: 36

  • Daniel abril 15, 2013

    Fora as muitas reclamações sobre a empresa, conheço diversas pessoas que estão esperando a entrega há mesesssssssss!!!!! Fato este que foi comprovado inclusive com uma reportagem na TV RECORD, no quadro “Patrulha do Consumidor, apresentado pelo sensacionalista Celso Russomano, mas que prova que esta empresa é muito meia boca. Agora com este ato de racismo ficou pior ainda, deveríamos iniciar um boicote aos internautas contra este tipo de empresa!!!!

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  • Marcos abril 15, 2013

    Chatice…
    bla bla bla.

    Você não percebeu que um esteriótipo de todos os personagens foi criado?
    O metaleiro, o alternativo, o rock clássico, o samba, o reggae… cada um foi criado com a sua personalidade e algo que torna possível a identificação deles?

    Generalizar ou transformar isso em algo muito maior do que é mostra uma ignorância e intolerância muito maior do que você sugere que o comercial transmita.

    Agora, o Zé ONG vai querer dizer que, em um festival de rock, as pessoas vão querer ouvir samba e pagode?? Onde está o preconceito em fazer uma brincadeira bem humorada dessas no comercial?

    Ou, vai dizer que bandas de reggae e o público consumidor desse tipo de música não tem um perfil (estereotipado) de que fumam maconha? Senão me engano, o nome Planta e Raiz se refere a isso, não? Ou ainda, letras como “Veja só a nevoa branca que sai atrás do bambuzal”, do Natiruts, também se refere a isso, não?

    Cuidado com os exageros na sua interpretação e ao fazer uma análise que transforma uma brincadeira em uma discussão sem fundamento.

    A conversa sobre diversidades em vários âmbitos da sociedade, como você diz, deve realmente acontecer. Mas a conversa deve ser baseada em coisas concretas… em não algum tipo de birrinha infantil do tipo “aqueles bobos falaram mal de samba… humpf”..

    Mais amor, por favor… e menos intolerância e mau humor.
    O mundo ta chato.

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    • Simone abril 16, 2013

      Perfeito!

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    • Jorge abril 16, 2013

      Bravo!
      Disse tudo!

      “Mais amor, por favor… e menos intolerância e mau humor.
      O mundo ta chato.”

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    • Juliano abril 17, 2013

      É Marcos! Deve ser muito chato mesmo ser patrulhado enquanto se exerce o direito de ser preconceituoso, de diminuir, de esteriotipar…
      É sempre “só uma brincadeira”, né? Só queremos nos divertir quando brincamos com escravidão, que foi “maravilhosa” para o negro, quando fazemos blackface, acorrentamos uma “escrava”, quando humilhamos o homossexual, brincamos com o nazismo, dizemos que mulher feia só quebra galho, que deve abraçar deu algoz caso seja estuprada, debochamos do “gordo”, quando praticamos bulling e acabamos com a estima e vontade de viver de um ser humano. É SEMPRE SÓ UMA BRINCADEIRA, PORRA! Quem não entende ou se ofende é um ignorante. O mundo tá chato por que é preciso explicar pra tí, que com certeza não é negro, tampouco curte samba, que essas pessoas é que devem decidir se sentiram-se ofendidas por essa propaganda. E não deves ser tú, mimoso, a vir dizer que quando alguém se ofende com as brincadeiras preconceituosas que lhe são enfiadas goela abaixo todo dia, o tempo todo, a VIDA TODA, se deve abaixar a cabeça e encarar como “não, foi impressão minha, nada há de preconceituoso nessa droga”. E isso tudo pra que gente como tú possa se divertir com essa brincadeira. Empatia manda um abraço.

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    • Enrique Pessoa Gonzaga abril 24, 2013

      Digo pra todos eu Enrique Educador Social e Cultural não concordo com a filmagem mostrada acima,pois fico indignado pois a Arte esta uma ligada na outra mesmo sendo um evento de Rock a Neshoes não deveria fazer isto com o estilo cultural Musical Brasileiro que é o Samba. Pois querendo ou não todos nós fazemos parte deste samba eles poderiam fazer com que os musicos do Samba recebessem um presente do estilo rock na qual eles iam virar roqueiros enfim… Mais dai eles cagaram no bom modo pra não falar outra coisa pintaram um cara de preto pra falar que nos negros que gostamos do estilo musical Ragge somos maconheiros para!!!!!!!!!! Curto Regge minha mulher meus filhos minha mãe e meu pai e quem me ensinou foram eles acho que vocês não sabe nem quem é Sizzla entre outros,mais ai brincadeira tem hora é lugar acho que vc Marcos não é negro ou ao mesmo nunca se pois como nós ou é um negro que não sabe defender seus direitos corrompido pelos mas linguas que fala que todos nós somos iguais mais é sempre passado pra tráz,falo isto pos cansei de pessoas falando que nós negros somos racistas mais a etinis que foi predominante foram os Brancos que fizeram lavagem celebral nos nosso negros na Africa e mesmo os Indios em seus paises.Vou falar uma coisa da historia pra ti algo que um Pagé me falou os europeus ja tinha o conhecimento de manipular as matérias quimicas como fazer o Alcool dai eles iam nas tribos falavam que o alcool era a aguá,isto pra eles agua era uma forma de um Deus se eles queimarem a aguá eles perdem a colheita,peixes,balho e entre outas coisas iai eles pediam os negros eos indios em troca pranão colocar fogo na agua sagrada deles.Mais é isto o mundo esta assim pois temos muitas pessoas comodas o Eua e entre outros paises os negros e outras pessoas conquistaram seus direitos lutando para que seu futuro não cai na mão dos BABILÔNICOS.Espero que entenda sem recentimentos mais eles foram sem graça em fazer este video.

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    • Jean Lima abril 24, 2013

      Concordo com o Marcos.
      Gostaria de replicar aqui o que comentei no post de um amigo que compartilhou a matéria no Facebook:
      O texto do Fábio Amarantes expõe um ponto de vista individual válido, mas no final se contradiz…
      É declarado que rockeiros não gostam de samba. Problema deles, rockeiros.
      Quanto a menção de estereótipo dos “reggaeiros”, concordo que foi dispensável.
      Mas a campanha utilizou de bom humor/satira em relação ao gosto do entregador, que é personificado na pele do Detonator (http://tinyurl.com/aznttmc). Não vi ato de preconceito.

      Essa afirmação, de que há preconceito, vai na mesma linha daqueles que tentam “padronizar” o nível de piadas dos comediantes stand-ups. O cara satiriza e coloca o dedo na ferida de muitos que acabam se sentindo ofendidos e, assim, repudiam o ato do comediante que o fez.

      Disse que o texto se contradiz pela frase final: “Mais amor, por favor.”

      Se houvesse mais amor, ninguém teria se ofendido antes de entender o conceito do personagem principal.

      Tudo é questão de uma visão interpretativa dentro do conhecimento individual do espectador.

      Grande abraço a vocês!

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  • Marcos abril 15, 2013

    ps: por curiosidade entrei no canal do Youtube da empresa.

    Veja o quão engajado socialmente a empresa parece ser.
    Ações de inclusão com deficientes físicos, patrocinio de diversos atletas, entre eles o Fernando Fernandes, que sofreu um acidente, ficou sem o movimento das pernas, mas não desistiu e seguiu com a vida..

    Vc não acha que isso é MUITO mais importante de ser comentado do que a sua interpretação de um comercial com conotação de humor??

    http://www.youtube.com/user/netshoes

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    • Simone abril 16, 2013

      Parabéns Marcos por todas as colocações e preocupação em pesquisar empresa a qual além de um sério trabalho de bastidores, prima pela qualidade e bom humor. Tantas coisas realmente sérias a se falar! (Como todos os comentários são moderados, provavelmente esse será também bloqueado). Mais AMOR, por favor.

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  • Paulo abril 16, 2013

    Eu não gosto de samba…
    Quer dizer que ou eu sou louco, ou alejado???

    Que preconceito com pessoas que possuem deficiência física ou mental…. Lamentável sua posição com essa frase.

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  • Paquera
    Paqüera abril 16, 2013

    É com profunda tristeza que vejo uma propaganda de mal gosto, preconceituosa e racista, vinculando nas redes sociais, nas rodas de conversas, entre becos e vielas. Ao longo de 34 anos no Universo do Samba, compartilhei inúmeras e maravilhosas experiencias com o Rock, o Pop, o Clássico, o Rural e por mais que existam gostos e desgostos o respeito sempre foi mantido. Como Presidente do Samba da Vela, nos últimos 13 anos, tivemos na Casa de Cultura de Santo Amaro, a visitas de vários artistas do Mundo do Rock como os músicos do Sepultura, Paulo Miklos do Titãs, o contra baixista Michael “Flea” Balzary do Red Hot Chili Peppers entre muitos outros, que compartilharam suas energias com a nossa musica afro brasileira, em uma atmosfera de paz, respeito e harmonia. A propaganda feita com o intuito de ridicularizar o próximo, mostra o despreparo de alguns profissionais, uma coisa é humor outra é baixaria.
    O Samba está triste, mas não omisso,”eu sou mais meu chinelo de dedo, do que cromo alemão importado”.

    Paqüera
    Presidente do Samba da Vela

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  • Simone abril 16, 2013

    Kultafro vocês estão de Parabéns! Crescimento e democracia presentes.

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  • JORGE abril 16, 2013

    A MUITO TEMPO ATRÁS O SAMBISTA O VERDADEIRO DE SAPATO BRANCO ERA CONSIDERADO MALANDRO , E FOI PROVADO QUE NÃO ERA BEM ISSO, ESSA PROPAGANDA É BALELA, TEMOS QUE RESPEITAR QUEM GOSTA E QUEM NÃO GOSTA DE SAMBA, E SALVE TODOS OS RITIMOS

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  • Luiz abril 16, 2013

    Estou vendo pessoas defendendo e outras criticando o material publicitário, mas uma coisas que ninguém questionou até agora é se ele chegou a ir para o ar, porque até onde eu me lembro não ví este comercial na TV e muito menos na internet, e olha que o Netshoes tem um Marketing muito bom na rede…
    Agora sobre o material, não ví nada demais, simplesmente uma campanha publicitária atrelada a um Festival de Rock e não de música Brasileira, ou seja, não há motivos para tanto alarido.
    Vamos lutar por algo que realmente seja de valor e não ficar perdendo tempo com este tipo de picuinha que ao invés de ajudar só causa mais polêmica e sem necessidade alguma…

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    • Redação kultafro
      Redação kultafro abril 16, 2013

      Caro Luiz, esse comercial foi ao ar e depois da repercussão do caso, foi retirado inclusive do Youtube. Disponibilizamos o vídeo na home da Rede Kultafro.ObrigadoLp

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      • Marcos abril 16, 2013

        “Redação”,
        na verdade o vídeo foi exibido durante o Lollapalooza.. e teve boa aceitação do público (brancos, negros, amarelos, verdes, etc). Depois chegou a ser veiculado no Youtube, mas não foi para a televisão.

        Concordo com o Luiz. Não é essa luta que precisamos ter… são outras.

        A Rede Globo possui personagens do zorra total que são caracterizados de travesti, outro personagem representado por uma atriza branca, pintada como uma mulher negra.

        Por que ai não existe alarde?? Não existe protesto??

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        • Redação kultafro
          Redação kultafro abril 16, 2013

          Caro Marcos. Em primeiro lugar um erro não justifica o outro. Em segundo lugar,houveram e continuam os protestos contra esses tipos de usos da imagem dos negros, indios,etc.. Não se trata aqui de defender o politicamente correto.A caricatura , humor e outras formas de comunicações são legítimas , desde que os caricaturados não se sintam aviltados na sua imagem. Esse país ainda está em processo de construção das suas identidades e direitos, o samba é um valor nacional como outras manifestações artísticas .Portanto cabe ressaltar que esses referidos problemas não são negros e sim de todos os brasileiros independente de cor, que lutam por igualdade na diversidade e valorização como ser humano.

          • julio abril 18, 2013

            Nao gosto de samba ou pagode…isto me torna um preconceituoso? ah vahhhhhh

          • Redação kultafro
            Redação kultafro abril 18, 2013

            Claro que não. Não gostar de algo é necessário e faz parte das nossas escolhas pessoaias . O que não justifica é discriminar o que não gostamos. Precisamos conviver com as diversidades com inteligência. Foi justamente o que faltou na peça publicitária, aprovação da Netshoes e achar que está tudo normal. Lamentável!!!

  • Hébano abril 16, 2013

    Nessa altura do campeonato, ainda temos empresas assim … o pior … grandes empresas, onde é que vai para a mediocridade???

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  • Charlye Fya abril 16, 2013

    Vemos aqui pessoas dizendo q o mundo está chato,outras dizendo que os estereótipos são balela e que não se deve levar a sério ou fazer alarde por tratar se de uma campanha publicitária,voltada para um público específico,em um local específico.A isso acrescento que o objetivo específico é sim o de ridicularizar,as expressões musicais culturais e artísticas que provém de matriz africana.
    Isso é muito bem pensado e executado por uma série de profissionais dos meios de comunicação.Devemos sim polemizar,devemos sim discutir essa,e outras questões que são vistas como menores,pois justamente essas questões menores,deixadas muitas vezes de lado,são as questões que afundam cada vez mais a população nessa vala de senso comum onde tudo é aceitável,permitido e lícito.
    Até quando ???
    Mais Amor…Talvez…Mas Antes…Toda Verdade…

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  • Paulo Roberto Celso Wanderley abril 17, 2013

    Vejo como uma ação de mkt infeliz, onde quero e vou acreditar que o conceito da campanha não foi baseado no racismo intrínseco e sim de um conceito bom, porém com um péssimo roteiro. Onde faltou sensibilidade para o gestor e toda equipe por aprovar um conteúdo no mínimo desrespeitoso. Ser e praticar o Social Good é uma responsabilidade de todos que utilizam a ferramenta de massa que é a internet. Seja empresa ou pessoa física.

    Reply
  • Adriano abril 17, 2013

    Achei de extremo mau gosto o comercial e confesso que não compro mais na Netshoes,tenho outras opçõe se não apoio esse tipo de marketing,tenho amigos que são roqueiors , que são clubbers e gostam de outros ritmos e pensam como eu ,esses clichês bobos todos que o comercial muitomal realizado por sinal mostrou era desnecessário,e completamente sem sentido,nãomostrasse então sambistas no comercial não era para o lollapalooza ? na época do carnaval , nos comerciais de carnaval ou de samba ninguém tranca roqueiros e joga a chave fora, foi estranho isso e muito incoveniente !

    Reply
  • Adriano abril 17, 2013

    Achei de extremo mau gosto o comercial e confesso que não compro mais na Netshoes,tenho outras opções e não apoio esse tipo de marketing,tenho amigos que são roqueiros , que são clubbers e gostam de outros ritmos e pensam como eu ,esses clichês bobos todos que o comercial muito mal realizado por sinal mostrou era desnecessário,e completamente sem sentido,não mostrasse então sambistas no comercial não era para o lollapalooza ? na época do carnaval , nos comerciais de carnaval ou de samba ninguém tranca roqueiros e joga a chave fora, foi estranho isso e muito incoveniente !

    Reply
  • Fábio Amarante abril 22, 2013

    Em primeiro lugar muito obrigado por todos os comentários postados e agradeço imensamente a KultAfro por repostar meu texto de outra rede social para cá e acrescentar para ilustrar esse layout do Zeca Pagodinho!

    Bom um dos pontos mais importantes da democracia é, podermos expor nossas opiniões livremente sobre as mensagens emitidas pelos diversos veículos de comunicação. Mesmo que cada um esteja defendendo aos diferentes interesses, sejam eles particulares ou de um grupo, para os devidos fins intelectuais ou financeiros.

    Demorei um pouco para expor a minha opinião, devido aos outros afazeres, mas agora lendo os comentários postados, alguns me geraram outras perguntas.

    1- A empresa deseja ter ou quer fidelizar os amantes, músicos e admiradores do Samba ? A empresa acredita que esse target é um público potencialmente consumidor e/ou futuros consumidores do seu canal de vendas ? (Caso tenha algum colaborador ou parceiro da empresa supervisionando os tags com o nome da marca nas redes sociais e esse nosso bate papo, por gentileza, fique a vontade para se manifestar?).

    2- No humor vale tudo? O humor não pode ser analisado ou debatido? O que é humor para um grupo tem o mesmo sentido ou efeito em outro ?

    Desta forma aproveito para postar aqui e dividir uma matéria que li no ano passado, sobre um “outro” tipo de “humor”, mas que também me gerou e gera um desconforto ao ver. A emissora de tv também intitula como humor, que talvez possa nos ajudar a refletir mais sobre o humor produzido hoje, ou comparar as mensagens nas suas devidas proporções, ou talvez para alguns nem associar uma coisa com a outra e aos comentários postados, ao filme e a minha opinião e sensação expressada no texto acima, após ter visto a campanha da marca.

    *Liberdade de expressão sempre, com bom senso e tino fortalece e ajuda ainda mais a causa.

    Boa leitura

    Piadas racistas reforçam padrão colonial, explica pesquisador

    “A personagem Adelaide está colocada dentro dos marcos do passado. Havia uma leitura nas piadas de que os negros eram pobres, desdentados e feios. Adelaide tem o nariz e os lábios exageradamente alargados e o cabelo despenteado, em um clichê, que, no final, a compara a um gorila”

    Piadas sobre negros ainda são usadas para desqualificar e marginalizar essa parcela da população, critica o professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Dagoberto José da Fonseca, que pesquisa o tema desde a década de 1980. “Esse tipo de piada, de brincadeira, que não é nada inocente, tem o objetivo de rebaixar, de inferiorizar, de desqualificar o negro, de mostrá-lo como um animal, incompetente ou estigmatizar uma situação de pobreza pela qual passa boa parte dessa população.”

    Doutor em ciência sociais, ele começou a pesquisar o tema depois de ouvir de um amigo uma piada racista ainda na faculdade. A anedota deu origem a uma tese de mestrado que, engavetada desde então, foi resumida e será publicada no livro Você Conhece Aquela? A Piada, o Riso e o Racismo à Brasileira, com previsão de lançamento em dezembro.
    Em 133 páginas, o professor da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp reúne piadas em que os protagonistas são negros e aparecem como “vadios, malandros, ladrões”. Em algumas dessas anedotas são comparados a doenças degenerativas, como câncer, ou têm características físicas, como o nariz e a boca, exageradas, reforçando estereótipos.
    É o caso da personagem Adelaide, do programa Zorra Total, da TV Globo. No quadro, ela é uma mulher negra, pobre, sem dentes, que se refere aos cabelos da própria filha como “palha de aço”. As aparições da personagem estão sob análise no Ministério Público do Rio de Janeiro, que vai avaliar se há racismo no programa, a pedido da Secretaria de Igualdade Racial (Seppir).

    “A personagem Adelaide está colocada dentro dos marcos do passado. Havia uma leitura nas piadas de que os negros eram pobres, desdentados e feios. Ela a personagem não rompe com o passado, como Mussum, Grande Otelo e Chocolate. Adelaide tem o nariz e os lábios exageradamente alargados e o cabelo despenteado, em um clichê, que, no final, a compara a um gorila”, criticou.
    Sobre o tema da sexualidade, em um dos quatro capítulos da obra, Fonseca também critica o mito da potência sexual, no caso dos homens, ou de lascívia, no caso das mulheres. Segundo o professor, essas ideias surgem na colonização tanto no Brasil quanto na África e refletem teorias de um momento histórico em que o negro era tido como inferior.
    “Quando a gente pensa em um negro brutamonte, está associando o negro a um tarado, a um cavalo, a um touro, ou seja, voltamos para a questão da animalização”, ressaltou. ”Do outro lado, quando se remete à mulher negra, há ideia de lascividade, de promiscuidade. Tudo vinculado ao processo colonial, em que o dono do corpo era quem escravizava”, acrescentou.
    Para o professor, por trás das piadas racistas há uma intenção de buscar a “padronização” do corpo, da beleza, por meio da valorização de um “ideal branco”, o que tem impactos negativos, especialmente, entre as crianças negras. A tendência, explica o pesquisador, é que elas se sintam inferiores e tenham mais dificuldade para aprender.
    Em relação à personagem Adelaide, a Central Globo de Comunicação informou que o humorístico “é notadamente uma obra de ficção, cuja criação artística está amparada na liberdade de expressão”. A nota acrescenta ainda que a personagem foi inspirada na avó de seu intérprete e criador, o ator Rodrigo Sant’anna.

    Fonte: Portal Terra e Pragmatismo Politico

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  • Vanessa abril 24, 2013

    Não vejo racismo nisso … concordo que há muitos atos de racismo sim em subliminares , mas neste caso não consigo ver desta forma..e concordo com todos comentários do Marcos …ou quase todos , e ate um outro que fala sobre o zorra total …puts quer mais preconceito que este? No entanto nem tudo é neste intuito e se colocar assim na defensiva , parece mais preconceituoso que o próprio vídeo , fica um ar de coitadinho do negro sabe , isso sim me incomoda , sou negra e não vejo problema quando alguém diz que o Bob usa maconha ou quando excluem o samba de um festival de rock , na verdade em um outro festival o rock rio , é ate desagradável a presença da Ivete Sangalo , ou qualquer outro ritmo , afinal qdo vou pra um carnaval não vejo metaleiros invadindo os carnavalesco , cada grupo deveria respeitar o espaço do outro , só isso e como diz mas amor por favor
    Sou negra e não coitadinha que ninguém possa dizer nada sobre mim ou minha raça e quantos vezes eu mesma já fiz piadas de outras raças ??? e quantas vezes eu mesma me glorifiquei por ter pigmentação na pele e meu amigo não? isso também é preconceito
    e não vejo os brancos , amarelos , verdes , reclamando da minha falta de humor ou humor negro , levam como piada e vendo alguns negros fazendo o contrario me incomoda.
    Mas existe também um monte de negros que se fazem de coitados por uma simples situação, então cabe a cada um fazer o seu balanço , do que ser uma piada , do que é realidade, do que saiu do contexto e virou hipocrisia e principalmente do que é o Racismo !

    Reply
  • Enrique Pessoa Gonzaga abril 24, 2013

    Digo pra todos eu Enrique Educador Social e Cultural não concordo com a filmagem mostrada acima,pois fico indignado pois a Arte esta uma ligada na outra mesmo sendo um evento de Rock a Neshoes não deveria fazer isto com o estilo cultural Musical Brasileiro que é o Samba. Pois querendo ou não todos nós fazemos parte deste samba eles poderiam fazer com que os musicos do Samba recebessem um presente do estilo rock na qual eles iam virar roqueiros enfim… Mais dai eles cagaram no bom modo pra não falar outra coisa pintaram um cara de preto pra falar que nos negros que gostamos do estilo musical Ragge somos maconheiros para!!!!!!!!!! Curto Regge minha mulher meus filhos minha mãe e meu pai e quem me ensinou foram eles acho que vocês não sabe nem quem é Sizzla entre outros,mais ai brincadeira tem hora é lugar acho que vc Marcos não é negro ou ao mesmo nunca se pois como nós ou é um negro que não sabe defender seus direitos corrompido pelos mas linguas que fala que todos nós somos iguais mais é sempre passado pra tráz,falo isto pos cansei de pessoas falando que nós negros somos racistas mais a etinis que foi predominante foram os Brancos que fizeram lavagem celebral nos nosso negros na Africa e mesmo os Indios em seus paises.Vou falar uma coisa da historia pra ti algo que um Pagé me falou os europeus ja tinha o conhecimento de manipular as matérias quimicas como fazer o Alcool dai eles iam nas tribos falavam que o alcool era a aguá,isto pra eles agua era uma forma de um Deus se eles queimarem a aguá eles perdem a colheita,peixes,balho e entre outas coisas iai eles pediam os negros eos indios em troca pranão colocar fogo na agua sagrada deles.Mais é isto o mundo esta assim pois temos muitas pessoas comodas no Eua e entre outros paises os negros e outras pessoas conquistaram seus direitos lutando para que seu futuro não cai na mão dos BABILÔNICOS.Espero que entenda sem recentimentos mais eles foram sem graça em fazer este video.

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  • Magnu Sousa abril 24, 2013

    Anuncio da Netshoes é considerado preconceituoso
    Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária recomenda alteração de anúncio que discriminava a função do vendedor

    Atendendo à denúncia efetuada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços da CUT (Contracs/CUT), o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) recomendou a alteração da propaganda veiculada pela empresa de comércio eletrônico NETSHOES, que elimina e violenta o vendedor.
    A Contracs, em sua denúncia, reiterou que a citada propaganda infringia o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária em 4 artigos por: não respeitar a dignidade humana (artigo 19); favorecer e estimular ofensa e discriminação contra o vendedor ao classificá-lo de chato (artigo 20); conduzir à violência ao eliminar o vendedor e jogá-lo no lixo (artigo 26) e manifestar descaso pela segurança do vendedor ao derrubá-lo no chão ou jogá-lo no lixo conforme as propagandas veiculadas e denunciadas (artigo 33).
    Ainda segundo as normas, todo anúncio deve ser respeitador (artigo 1º), deve ter presente a responsabilidade do Anunciante (artigo 3º) e deve estar em consonância com os objetivos do desenvolvimento econômico, da educação e da cultura nacional (artigo 6º).
    Com base nestes artigos, o Conar – durante sessão de julgamento junto ao Conselho de Ética – adotou o voto do conselheiro Marcelo Pacheco pela recomendação de alteração da propaganda. Sendo assim, a NETSHOES não mais poderá veicular as propagandas utilizando a palavra ‘chato’ no comercial bem como qualquer outra forma de agressão física aos vendedores.
    Outras ações
    Além da denúncia junto ao Conar, a Contracs estuda outras medidas judiciais a serem tomadas em relação à propaganda que ofendia e incitava a violência contra os vendedores.

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  • Fábio Amarante abril 26, 2013

    Existem diversas formas de expressar um sentimento, a melhor forma que encontrei hoje após receber algumas notícias sobre essa fato e as postagens, desta vez é citando um samba:

    A Batucada Dos Nossos Tantãs
    De Reinaldo

    “Samba, a gente não perde o prazer de cantar
    E fazem de tudo pra silenciar
    A batucada dos nossos tantãs

    No seu ecoar, o samba se refez
    Seu canto se faz reluzir
    Podemos sorrir outra vez

    Samba, eterno delírio do compositor
    Que nasce da alma, sem pele, sem cor
    Com simplicidade, não sendo vulgar

    Fazendo da nossa alegria, seu habitat natural
    O samba floresce do fundo do nosso quintal

    Este samba é pra você
    Que vive a falar, a criticar
    Querendo esnobar, querendo acabar
    Com a nossa cultura popular

    É bonito de se ver
    O samba correr, pro lado de lá
    Fronteira não há, pra nos impedir
    Você não samba, mas tem que aplaudir.” O SAMBA!

    Reply
  • Jessica abril 26, 2013

    O Brasil, procurando sua identidade, sempre cometeu pequenos equívocos que hoje viraram comuns, como dizer que preconceito (seja do tipo que for) é brincadeirinha! Nesta identidade esqueceram-se de importantes fatores como o samba, por exemplo. Não! Não é brincadeirinha essa “bem humorada” piada. Para realizar um vídeo – ainda mais de uma marca de peso no mercado -, não se pega apenas uma câmera e sai filmando, existe um pensamento ideológico, pesquisa, roteiro e depois a gravação. Esqueceram nessas primeiras etapas de levar em conta que o samba é, como diz o texto, uma das importantes expressões nacionais e seria, no mínimo, estupidez tratá-lo dessa forma, desvalorizando-o! Poderia ter sido omitido essa informação.

    Espero que pessoas tratem menos como brincadeirinha e mais com seriedade. Porque intolerância e mau humor estão impressos no vídeo e não no texto. Mais amor sim!

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  • Jamaycah Djumbo abril 27, 2013

    O fato é que o modus operandi é sempre o mesmo (esteriótipos, Minstrel show, black faces…), rotulam um estilo. menosprezam e dizem que compreende a falta de cuidado ao se expressarem, pedem desculpas pelo “MAL ENTENDIDO” e agem como se nada houvesse acontecido. O ponto positivo é que a população está ficando mais atenta. Caso como este não pode passar desapercebido.

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  • Alessandra abril 27, 2013

    Sem querer aqui desmerecer ou desqualificar o trabalho de publicitários, até pq em qualquer área de atuação existem profissionais sérios e outros… bem… nem tão sérios assim! O fato é que o Movimento Negro sempre foi atuante, mas de uns tempos pra cá, aqui no Brasil, a conscientização, autoafirmação e repúdio a práticas racistas tem se intensificado no nosso povo. E com isso, bases pré estabelecidas pela sociedade, como a mídia, estremeceram. Motivo: não é mais aceitável por nós certas abordagens. Não cabe mais. Não queremos ver e não vamos mais tolerar. Simples assim.
    Quando você fala de qualquer outro grupo, você respeita sua cultura, sua crença. Mas quando se trata da cultura africana, da nossa história, dos conceitos africanos que trouxemos para o Brasil, dos ritmos… Tudo isso se torna caricato, quando manipulado pelo território midiático. Aliás, nos colocar como responsáveis em retirar gargalhadas da elite branca brasileira é algo historicamente comprovado, conforme mencionado no texto acima, através do movimento Black Faces. Acho o negro tem se projetado ao mundo, a sociedade de maneiras mais produtivas para nós mesmos do que vem sendo mostrado em programas de televisão, propagandas e afins. Noto que existe uma grande propensão ao oportunismo barato. Pq sabem muito bem que atitudes como essa, virarão notícia. E se forem acusados de racismo, usarão a velha desculpa de sempre: “foi só uma brincadeira”. Ando meio cansada disso. Por estes e outros motivos é que eu sou a favor de que o racismo seja considerado crime inafiançável. É um crime contra a humanidade e tem de ser tratado com atitudes mais sérias e severas.

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  • Lorraine Costa abril 27, 2013

    Lamentável, ver coisas como essa e ainda assim ter pessoas achando isso normal. Minha Paixão e samba isso e minha raiz e me sentir sim ofendida e excluída.
    Será mesmo que para ter humor você precisa desrespeitar alguém? Seja pelo gosto musical ou cor,se e gordo, homossexual não importa tem que haver respeito Não somos brinquedos ou palhaços para que as pessoas fiquem rindo e nos fazendo de piada .isso precisa acabar meus Filhos não tem q ser chamados de Cirilo, Adelaide porque são negros eles não tem que ser excluído porque escuta samba .

    Por isso eu também digo Mais amor, por favor.

    Meu querido Marcos e as outras pessoas que tenha mesmo pensamento.Realmente o mundo esta chato talvez se você sentisse a dor de ver seu filho chegar da escola chorando por causa de atos assim de humor como você diz tão insignificante você pensaria melhor.

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  • Jonathan junho 19, 2013

    Vocês não deve ter o que fazer!
    Vocês nem sabem o que o comercial quiz passar! Cada um interpreta como quizer, vivemos numa democracia. O fato é que normalmente o tal do preconceito parte daqueles que se sentem injustiçados!!! Isso que o rapaz fez em dizer o que achou do comercial é um pré-conceito!!!

    Abraços e vamos viver em paz que ganhamos mais!!!!!

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  • Junior agosto 18, 2013

    Então tá bom!

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