“De Maio”, no Jornalismo em Quadrinhos

Por Luiz Paulo Lima

Foto De Maio/divulgação

 O termo “jornalismo em quadrinhos “ embora muito recente, gradativamente vem se afirmando nos “tempos das redes sociais” , como meio comunicacional alternativo. O pesquisador e jornalista Augusto Paim, afirma que a linguagem de contar histórias cotidianas com arte e sequencial, já foi conhecida como “jornalismo Gráfico” na década de 90.

Paim, identifica como “pioneiro” Joe Sacco, jornalista e ilustrador radicado nos Estados Unidos. Transformou suas viagens ao Oriente Médio e aos Balcãs em um livro-reportagens em quadrinhos. “Palestina” foi a sua primeira publicação em fascículos entre os anos de 1993 e 1995. Trabalhos reconhecidos, tanto que ganhou o Prêmio American Book Ward no ano de 1996.

Joe Sacco

O que tem de jornalismo nesses trabalhos em quadrinhos?. Segundo o ilustrador Felipe Muanis, professor do Programa de pós-graduação em Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense, “Sacco tem o compromisso da apuração. Ele observa a situação, analisa os dois lados, pondera e escreve o que vê. Isso caracteriza o jornalismo”.

Tanto Muanis como Paim que tem dois livros em quadrinhos publicados , organizou encontros internacionais de “Jornalismo em Quadrinhos” ponderam que essa linguagem se aproxima mais da literatura como forma e relação com o tempo de produção, diferente de uma cobertura jornalística ou ter que trabalhar na pressão diária de uma redação.

Ilustração De Maio

No Brasil um nome vem fazendo a diferença nesse novo gênero jornalístico , trata-se do repórter-quadrinista, criativo Alexandre de Maio, hoje sócio do site Catraca Livre. Rodado no áudio-visual produzindo videoclipes , como o recente “Causa e efeito” do Rapper MV Bill , entre outros trabalhos.De Maio acredita nestas múltiplas atividades que exerce como base técnica e inspiração para suas atividades.

Ilustração De Maio

A “ Fórum”, revista mensal de opinião, inspirada no Fórum Social Mundial , recentemente publicou uma série sobre a região da Estação da Luz, conhecida como “cracolândia”. De maio com Carlos Carlos , foram até o local, conversaram com um usuário de crack, que vive na região há 15 anos, resgatando histórias de vida, violências além dos questionamentos sobre as “opções” de tratamento e recuperação oferecidos pelo governo.

Ilustração De Maio

Precisaram de algumas semanas , para estruturar a pauta e a entrevista. De Maio durante todo o processo utilizou papel, caneta, câmera fotográfica, Scanner e impressora. O quadrinista “ Acompanha a entrevista, faz alguns clicks do entrevistado, local, detalhes e texturas, assim fica gravado e viva as imagens até que o parceiro repórter envie o texto para ilustrar.
“Como é bom deixar de lado os estereótipos, os personagens já marcados pela mídia. Os depoimentos foram impressionantes” afirma Alexandre. ”È muito boa a sensação de ver cada trabalho finalizado e perceber que estamos produzindo uma reportagem que quebra os paradigmas do jornalismo tradicional, tanto na forma como no conteúdo” afirma Carlos Carlos em uma entrevista recente.
Este novo gênero jornalístico sugere uma nova proposta de reportar a informação. Uma mistura de imagens e textos construindo um contínuo tecido ilustrado, onde a consciência crítica e criativa, mesclada ao jornalismo se faz presente.

Luiz Paulo Lima

Luiz Paulo Lima

Jornalista, BK4 Comunicações

Comments: 2

  • chuck martin março 01, 2013

    este artigo é bem interessante e informativo. nunca ouvi falar do “jornalismo em quadrinhos” mas vejo como é importante, como tipo de informação. aliás, aponta pessoas/trabalhos de grande interesse. obrigado e paragens!

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    • Redação kultafro
      Redação kultafro março 01, 2013

      Meu amigo obrigado pela mensagem.Estamos juntos. Abraços Luiz Paulo Lima

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