Com a palavra Elisa Lucinda

Por Elisa Lucinda

 
A parada é a seguinte, o deputado Marco Feliciano se mostrou publicamente despreparado para exercer qualquer cargo público, e em especial uma coordenação de Direitos Humanos. É um acinte às conquistas democráticas, um atraso nos avanços que fizemos nas questões de etnia e gênero. Ninguém pode usar o dinheiro público para propagar a exclusão, a desigualdade, o preconceito e o racismo. Espero que Dilma, a Maria do Rosário, o Congresso, o Senado, o Supremo Tribunal, alguém que também ame a nossa pátria nos ouça: O País não o quer, senhor Marco Feliciano! O senhor declarou que a escolha do seu nome para essa pasta dos Direitos Humanos incomodou o “reino das trevas”. Quem são os habitantes desse reino? Eu? Os inúmeros militantes, trabalhadores e pensadores de um país socialmente mais são? Considerando o seu pensamento a respeito dos negros e homossexuais como pessoas de segunda categoria e amaldiçoados, me espantou que seus pais fossem negros. É verdade que via-se nos traços, e nos cachos crespos de um cabelo devidamente alisado do filho, mas pela sua ira contra os pretos, pensei que fossem antepassados mais longínquos os dos negros de sua família. Mas, hoje está estampada nos jornais a foto do senhor deputado entre seus negros pais, o que torna mais bizarra sua atitude, a auto negação explícita de sua origem e formação étnica, e sua escrota e ignorante maneira de ver a homossexualidade. Nem vou comentar o ridículo, a desatualidade, o contrassenso desta cabeça em querer instituir o ensino religioso evangélico em todas as escolas, num Brasil multicultural, sincretista, e, à duras penas, liberto dos princípios da ditadura. Até os evangélicos já declararam que esse senhor não os representa. Vamos nos mobilizar, botar nossa opinião na rede. Vamos tornar insustentável essa decisão que ameaça nossas conquistas e ainda promete atrofiar as cabeças dos que estão formando agora o seu saber. Um homem que atenta contra sua própria origem e história tem muito o que conhecer e se conhecer, tem muito o que se desenvolver numa boa escola de direitos humanos para aprender primeiro a se aceitar, se compreender, se receber e se perceber. A parada é a seguinte, não pode assumir uma pasta de Direitos Humanos quem contra eles atenta.

Elisa Lucinda,  poetisa, atriz e brasileira.

 

Comments: 7

  • Karla Antônia Caldeira Lopes março 13, 2013

    Mandou bem, concordo plenamente com as suas palavras!

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  • Carlos André março 13, 2013

    Quero te dar um beijo em homenagem a sua sabedoria…Sinta beijadaaaaaaaaa!

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  • GRACE março 14, 2013

    VC FALA COM CLASSE E ESTREMAMENTE EXPLICATIVA, AMEI. PALAVRAS SANTA.

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  • Saulo março 14, 2013

    Ninguém se expressaria melhor.
    Parabéns, autora nossa.

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  • Leila março 14, 2013

    Elisa, vc sabe o que diz e o faz com propriedade, pois é uma grande defensora dos direitos humanos, adoro o jeito como escreve, tenho um carinho todo especial por seus livros, pois aprendo muito com eles. Parabéns, vamos sim divulgar , não podemos mais andar pra trás.
    grande beijo.

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  • Elda março 14, 2013

    Respeito sua opinião. Só não concordo quando você fala: O País não o quer, senhor Marco Feliciano!
    Desculpe eu também sou Brasileira moro nesse Pais, pago meus impostos e nunca disse que não queria. Portanto, exponha a sua opinião… respeitando as demais… que não significa a de todos os Brasileiros.

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  • Neireuda Brito março 22, 2013

    Absolutamente perfeito. Obrigada por se expressar tão equilibrada, concisa e claramente, Elisa Lucinda. Que delicia a experiência de te ler!

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