Ancine, ignora os Festivais Àfricanos

Redação Kultafro,

Por  Joel Zito Araujo

Não existe nenhum festival africano que faça parte da lista que a ANCINE apoie a ida de filmes brasileiros. No continente africano existe 3 grandes festivais, o primeiro dele é o FESPACO. O segundo e mais antigo é o Carthage Film Festival, da Tunísia, com foco maior para o cinema da região do magreb. E o terceiro é o Festival de Durban, na África do Sul, com foco no cinema internacional e menor participação de filmes africanos. Os outros são regionais ou locais. A ANCINE, talvez pela persistência de um inconsciente colonial, contrária a política desenvolvida pelo ex-presidente Lula, de aproximação com a África, e de pagamento da dívida histórica, não manifestou até o momento o mesmo esforço feito pela diplomacia brasileira, ou por grandes empresas como Odebrecht, Vale e a Petrobrás, e por levas cada vez maior de empresários brasileiros que visitam anualmente o continente em busca de negócios. O FESPACO é bianual, e é o único que tem foco exclusivo na produção africana, além de um prêmio especial “Paul Robeson”, que concorro com RAÇA, para filmes da diáspora africana (ou seja filmes de fora mas que tem temática relacionada com a África).

 

A importância do FESPACO é tão grande para os europeus que aqui estão os grandes produtores e grandes organizadores dos festivais europeus e norte-americanos. Eu pessoalmente estive com os cabeças dos Festivais d’Amiens e de Toronto, além de organizadores de festivais da Espanha, França, Alemanha, Inglaterra, Itália e Estados Unidos. O país que mais apoia e dá destaque ao festival é a França. Assim, temos recepções da Embaixada Francesa, eventos promovidos pela TV5MONDE, televisão francesa, uma vez que aqui também é um mercado importante para televisões européias e africanas. A BBC também está por aqui. Então, não será a hora da ANCINE fazer a sua parte e vir enfrentar a poeira do deserto do Saara e o calor de 43 graus para participar desta grande festa? Não é hora de apoiar os brasileiros que são selecionados, como eu, Jeferson De e Sergio Sanz? Não é hora de auxiliar na criação de janelas de negócios entre as TV africanas e os realizadores e as TVs brasileiras?

 

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