Angola, elas fazem a diferença !!!

Por Luiz Paulo Lima

Filho de mãe cabo-verdiana e pai angolano Felipe Zau, doutor em Ciências da Educação, mestre em Relações Interculturais, escreveu um artigo muito interessante que ressalta a importância da mulher na sociedade angolana, onde a tradição cultural bantu maioria  no país, correspondendo à 95% da população, é caracterizada por um predomínio da mulher como mãe, que gera e define a linhagem. Tal princípio é expresso na conhecida frase “educar uma mulher é o mesmo que educar uma família”.

O País pós-guerra  continua sofrendo transformações contrastantes com relação aos valores culturais, onde por um lado é perceptível a luta cotidiana do povo para reduzir e eliminar as desigualdades entre outras a de gênero entre homens e mulheres. Por outro  tudo se mistura as estruturas conjunturais sócio-política, econômicas porque passa o país atualmente.

Que mulheres angolanas são essas?

Um fato novo chamou a atenção e virou notícia em destaque no mundo dos negócios nesta semana, sobre a empresária angolana Isabel do Santos  com 39 anos, que adquiriu 40% do capital da principal companhia aérea privada cabo-verdiana Halcyonair. Um negócio que deverá ser concluído na segunda quinzena de janeiro de 2012. A mulher mais rica e poderosa da África subsaariana segundo a revista Forbes. Na sua história profissional passou anteriormente pelos ramos da hotelaria, petróleo, diamantes, bancos e telecomunicações.
Filha do Presidente da República, casada com o congolês Sindika Dokolo, que segundo as revistas de celebridades foi o maior casamento do país, que custou a bagatela de quatro milhões de dólares, com mil convidados. Muitos desses ilustres vieram do exterior trazidos em aviões fretados, e entraram no país sem vistos.
Precisamos lembrar que 20 pessoas e suas respectivas famílias ligadas diretamente ao governo, detém a posse de 80 a 90% do PIB. Situação econômica que contrasta a realidade sócio-política de Angola. Uma economia oligárquica, baseada em recursos naturais, segundo maior produtor de petróleo do continente e se prepara para exportar gás natural.
Esse segmento representa 98% das exportações do país, não emprega quase que nenhuma população angolana. Segundo Elias Isaac , diretor da organização de defesa dos direitos humanos Open Society, afirma que este setor só representa 0,5% da força ativa de trabalho.
Recentemente, o relatório das Nações Unidas (ONU) sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, conclui que 37% da população angolana vive em situação de pobreza extrema, com menos de um dólar por dia. Apesar de tudo a economia em 2012 cresceu 7% porém, segundo os principais economistas do país como o tributarista e ex-ministro Fernando Heitor, afirma que os beneficiários são sempre os mesmos, a elite política comandada pelo Presidente José Eduardo Santos há 33 anos no poder.
Independente deste quadro descrito, as mulheres continuam produzindo histórias de superação, mostrando pela sua organização e atitude, entendendo que é possível resgatar as tradições  com criatividade,capacidade e esperança de dias muito melhores para todos os angolanos e os que por la vivem.`
É o caso das sacoleiras que fazem a festa das lojas brasileiras, para a alegria dos logistas. Funciona como os anos 80 e 90 no Brasil, que sem a oferta de produtos importados, via um batalhão de mulheres embarcarem para Miami ou Nova York, encherem as malas de compras e depois revenderem no Brasil.
O nome “ sacoleira” vem daí: de sacolas ou malas abarrotadas de compras.
È isso que uma parcela das  angolanas fazem agora no Brasil, principalmente em São Paulo onde chegam a gastar R$120 mil em cada visita. Atualmente as preferências de compras são roupas que as angolanas vem influenciadas pelas novelas da Globo, Record e SBT.
O comércio é tão profissional que essas sacoleiras contratam consultoras de compras, que as pegam nos hotéis e  levam-nas  para as lojas que oferecem, produtos de qualidade e preços atrativos. O que poucos sabem é entre essas virtudes está uma capacidade – espírito empreendedor – que, em via de regra, é mais associada aos homens.
O estudo Global Entrepreneurship Monitor de 2010 publicado no segundo semestre de 2011, no qual participaram 43 países (em Angola a sondagem resultou de uma parceria entre a Universidade Católica e a sociedade Portuguesa de inovação), revela que há muitos empreendedores autônomos no país (23 em cada 100, o que é a quarta mais alta do mundo).O que é inédito em relação a escala mundial: um quarto da população angolana adulta do gênero feminino(23,3%) está envolvida em atividades empreendedoras early–stage, ou seja em negócios nascente, enquanto nos homens essa taxa não passa dos 20,3%.

Luiz Paulo Lima

Luiz Paulo Lima

Jornalista, BK4 Comunicações

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