Kultafro entrevista Virginia Rosa

kultafro entrevista Virgínia Rosa, cantora que, recentemente, fez uma temporada de sucesso com show em homenagem a Clara Nunes

 

 

Por Leno F. Silva

Virgínia Rosa é cantora e, desde criança, tem familiaridade com a música. Iniciou sua carreira artística, em São Paulo, na Banca Isca de Polícia, e o seu trabalho de intérprete é inspirado em cantoras viscerais, como Billie Holida, Elizeth Cardoso, Clementina de Jesus, Elis Regina, Elza Soares, Clara Nunes, Cássia Eller, Maria Callas, Edith Piaf, entre outras.

foto: Gal Oppido

kultafro: Qual a importância das raízes negras na sua vida e no seu trabalho artístico?

Virgínia Rosa: É grande a importância porque elas fazem parte da minha etnia e também da maior parte dos brasileiros, já que somos um país miscigenado. Sempre ouvi e tento conhecer os artistas negros. Parece que é um caminho natural a seguir
quando você sabe quem você é e de onde veio. Mas não tenho isso como um compromisso único ou uma bandeira. Gosto de cultura de modo geral, independente da cor da pele de quem a criou: música, dança, peça de teatro ou quadro.

Boa música é para ser divulgada. Grandes artistas devem ser respeitados e homenageados.

kultafro: Como foi o início de sua carreira e quais os desafios enfrentados?

Virgínia Rosa: A música está na minha vida desde que eu era criança. Na minha casa sempre se gostou de música e meu pai, sendo músico (amador), nos incentivou a conhecer música de uma maneira não preconceituosa. Ao mesmo tempo em que ele me apresentou Martinho da Vila, também apresentou Secos & Molhados e Beatles. Meu pai sempre tinha um violão em casa e costumávamos cantar juntos. Minha mãe adorava cantar – e cantava muito bem. Com ela conheci Clara Nunes e Elizeth Cardoso, por exemplo. Esse ambiente musical talvez tenha sido o principal responsável por eu ter um grupo musical com meus primos, mas meu primeiro trabalho profissional em música foi na Banda Isca de Polícia, ao lado de Itamar Assumpção.

Quanto aos desafios, eles sempre estão presentes na vida de um artista que quer crescer. Não ter muito espaço na grande mídia dificulta um pouco a divulgação do trabalho, mas não o impede de acontecer. Na minha opinião, o mais importante é fazer, apesar das dificuldades encontradas. Pelo menos é assim que tenho feito e isso me traz parcerias maravilhosas, pessoas que
acreditam no meu trabalho e dão suporte para realizá-lo. Vou “fazendo”, cantando. E cada apresentação traz novos admiradores, ou seja, estou sendo sempre descoberta e isso é muito bom. Tem um frescor!!!

kultafro: Quais as suas principais referências musicais?

Virgínia Rosa: Bom, sempre fui, desde criança, uma pessoa aberta a conhecer todo tipo de arte começando, é claro, pela música. Mais tarde, já adulta e envolvida com o canto, as minhas preferidas eram e ainda são: Billie Holiday, Elizeth Cardoso, Clementina de Jesus, Elis Regina, Elza Soares, Clara Nunes, Cássia Eller, Maria Callas, Edith Piaf, etc. Como você pôde observar cantoras que tinham uma personalidade forte, um canto visceral, sem querer soar antiquado. Essa foi minha influência, mas sempre estou aprendendo, descobrindo. Vida é isso.

kultafro:Como você define o seu trabalho artístico e de que maneira você escolhe o repertório?

Virgínia Rosa: Sou uma intérprete da canção. Ser intérprete, para mim, é se deixar conduzir pelo texto da música, uma postura que vai além de cantar bem. É preciso passar algo mais para a plateia e sentir algo mais também. Se observar e se transformar a cada espetáculo.

A escolha de repertório depende do projeto com o qual estou envolvida. Se, por exemplo, é para um CD, tento achar um conceito, um tema. Depois me deixo levar pela intuição e também abro brechas para sugestões de pessoas queridas, com as quais já trabalho. Mas é fundamental que eu sinta, e que eu goste de estar cantando (e dizendo) as músicas selecionadas para as pessoas naquele momento.

kultafro: No seu mais recente show, Virgínia Rosa Canta Clara, em homenagem aos 70 anos de Clara Nunes, há muita emoção e força nas interpretações.Como foi “incorporar” essa grande cantora brasileira?

Virgínia Rosa: A emoção está presente o tempo todo porque a própria homenageada já traz isso em seu repertório, sua postura, seu jeito de cantar. Ela tinha uma interpretação honesta de cada música que cantava. Eu me identifico com isso e tento trilhar esse caminho também.

Nesse show a saudade de uma artista da grandeza de Clara Nunes nos conduz a um ambiente de forte emoção. Ele é uma carinhosa e sincera homenagem a essa grande cantora brasileira que merece ser lembrada e deve ser apresentada às novas gerações.

kultafro: Na sua opinião, qual a importância da rede kultafro, como um instrumento para a valorização dos empreendedores, artistas e produtores de cultura negra que atuam no Estado de São Paulo?

Virgínia Rosa: Gostei do site e acho que é importante ter um espaço com este perfil atuando como divulgador da cultura negra e assuntos referentes a ela. É fundamental ter um espaço para divulgar e compartilhar conhecimentos sobre o negro no
Brasil e no mundo de hoje, mostrar que muita gente boa e talentosa tenta fazer um mundo melhor através da arte, lugar onde os preconceitos perdem a força!
Acho que os povos podem se unir através das artes, de suas culturas.

Quando sabemos quem somos não temos medo do novo e nem de compartilhar.

Entrevista com Virgínia Rosa, realizada dia 21/11/2012

Contatos: Mesa 2 Produções Artísticas | www.mesa2.com.br | 11 – 3334.1358

Leave A Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *