Reggae empreendedor-ativista do cantor marfinense Tiken Jah Fakoly aporta em São Paulo

Tiken Jah/Raoos Irie

Liliane Braga (Quisqueya Brasil)

Quando Doumbia Moussa Fakoly, nascido no Mali de origem mandinga e de família mulçumana, ainda não era Tiken Jah e não sabia se queria seguir profissionalmente fazendo música, um homem de Gana aportou na Costa do Marfim  que, além das línguas locais, fala francês por imposição da colonização. O jovem músico lhe fez uma proposta: “eu carrego suas malas de graça se você traduzir para mim ‘Get up, stand up’ e ‘Africa Unite’”, referindo-se a dois famosos reggaes de Bob Marley. Ao saber do que se tratavam as músicas, ele se decidiu: “eu não preciso cantar em inglês, mas eu preciso falar ao mundo da África e da sua situação”. Hoje, aos 44 anos de idade, sua discografia soma ao menos 11 títulos. O mais recente deles, “African Revolution”, saiu em 2010. Quase toda sua obra pode ser comprada online nas grandes lojas virtuais, uma vez que Tiken Jah é contratado de uma gravadora multinacional. Na trajetória que escolheu, no entanto, o desafio nunca deixou de existir: “Não é fácil ser um artista ativista e fazer o meu trabalho. Mas eu sempre digo que estou fazendo reggae, reggae de Bob Marley e Peter Tosh”, referindo-se ao gênero criado na Jamaica, que legou para o mundo um ritmo que se baseia na acentuação do tempo fraco, conhecido como skank e marcado por mensagens humanistas provenientes do rastafarianismo – movimento religioso que proclama Hailê Selassiê I, imperador da Etiópia, como a representação terrena de Jah (Deus), em razão de ser o único monarca africano de um país totalmente independente. O reggae de Tiken Jah é marcado pela mescla a gêneros musicais africanos e feito com instrumentos tradicionais, como a cora que ele trouxe para o show de São Paulo. A turnê fazia parte de um roteiro que incluía outros países da América do Sul, como Uruguai e Argentina, em acordo com propósito de Tiken Jah de unir África e a diáspora. “Os grandes cantores de reggae da Jamaica se referem à África como terra- mãe. É importante vocês [da diáspora] verem os instrumentos africanos que trazemos para notarem nossa identidade”. Obrigado a deixar seu país natal devido à xenofobia (por ser do Norte do país, era considerado estrangeiro) e por declarar publicamente suas opiniões em momento de guerra civil, Tiken Jah se exilou no Mali desde 2002. Em 2007, pôde voltar à Costa do Marfim e “dedicar energia” à reconciliação no país. De lá para cá, tem desenvolvido alguns projetos na sua terra-natal e feito retornos esporádicos. Anseia voltar a viver lá. Convidado a tocar em shows pela Europa e América do Norte com frequência, Tiken Jah tocou em São Paulo pela primeira vez no dia 13 de outubro, no SESC Pompeia, dia em que conversou com a equipe que representava a kultafro. Além de dedicar-se à música e a mensagem que se destinam a “despertar conciências”, o homem que acredita que “a África é o futuro” empreende um projeto grandioso: “Um show, uma escola”, pelo qual dedica cachês de suas apresentações à construção de escolas em diferentes países africanos. Três escolas já foram construídas desde que o projeto teve início, em 2004. O projeto está no facebook e pode ser acompanhado pelo link http://unconcertuneecole.com/. Como empreendedor do meio musical, Tiken Jah também produz outros artistas em cujo trabalho aposta. É o caso da artista alemã-congolesa Mayembé (http:// www.malayikamusic.de/), cujo álbum de estreia “Pan-African Soul” saiu pela Fakoly Produções, companhia baseada no Mali, e contou com Tiken Jah conduzindo a gravação nos estúdios. Para conhecer mais do pensamento e da trajetória de Tiken Jah, acompanhem as atualizações do site da kultafro e vídeo que estará no ar em breve, em parceria com a “Diaspora Report TV”, projeto do jornalista e produtor de TV afro-americano Tony Regusters.

Links:

http://tikenjahfakoly.artiste.universalmusic.fr/

Vídeo de internauta com a presentação de “African Revolution” no SESC Pompeia:

Sobre os mandingas:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mandingas

 

 

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