Kultafro Informa: ler para as crianças faz muito bem à saúde

Por Luiz Paulo Lima

Uma pesquisa amplamente divulgada no segundo semestre deste ano pela Fundação Itaú Social e Data Folha revelou que 96% das pessoas pesquisadas consideram muito importante incentivo à leitura a crianças de até 5 anos.

A referida pesquisa ainda aponta que apenas 37% dos entrevistados (adultos) têm o hábito de ler para as crianças. Cabe destacar ainda nesse estudo que as mulheres entre 25 e 44 anos da classe média representam os principais leitores para o público infantil.

Pílula de Cultura da Feira Preta na Casa das Caldeiras - Foto: Samba Rock Na Veia

Pílula de Cultura da Feira Preta na Casa das Caldeiras – Foto: Samba Rock Na Veia

Mais da metade da população brasileira, 53%, já pertence à classe média, segundo a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República. A Agência Brasil divulgou que há 104 milhões de brasileiros e brasileiras nesse segmento.

Como fato relevante, o levantamento mostra que aproximadamente 80% desses novos integrantes da classe média brasileira são negros(as).

Pílula de Cultura da Feira Preta na Casa das Caldeiras - Foto: Samba Rock Na Veia

Pílula de Cultura da Feira Preta na Casa das Caldeiras – Foto: Samba Rock Na Veia

O governo federal e o Ministério da Cultura estão se movimentando por conta dessas informações. Em uma ação conjunta da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural e a Fundação Biblioteca Nacional (FBN), serão mapeados os pontos de cultura que podem ter como foco a literatura negra e a FBN vai realizar ainda uma pesquisa sobre hábitos de leitura da população negra.

Sugestões de leitura
Reprodução de capa

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Título: Lendas da África Moderna
Autores: Heloisa Pires Lima e Rosa Maria Tavares Andrade
Ilustrações: Denise Nascimento
Editora Elementar, 2010
Sinopse
A lenda nasce. Não se sabe ao certo se de boca a boca ou de ouvido a ouvido. E também é assim na moderna África que, viva, continua produzindo suas histórias. Desse modo, nasce mais uma lenda a respeito da África, no Brasil. As autoras do livro apenas abrigaram um pouco desse lendário que recolheram no ar. Nelson Mandela, Wangari Maathai, a Arte e os Griôs africanos, inspiraram quatro lendas. Também porque as escritoras descobriram que a palavra lenda é filha de outra: legenda, isto é, para ser lida.
Madiba, aquele que enfrentou a fera de pelo branco devoradora de gente de pele negra. Por isso ele se tornou quem se tornou; uma lenda viva.
A visionária menina kikuiu que, ao reunir outras meninas para plantar milhões de árvores nativas fez o suor, pelo esforço, fertilizar o solo do Quênia.
A arte em ouro produziu o brinco da princesa axanti, sempre perdido para ser encontrado e realizar ideias dependuradas na mente.
O griô extraordinário cujos personagens saem de sua boca vivos e caminhantes nos cenários das histórias que ele também faz surgir.

Heloisa Pires Lima
Nasceu em Porto Alegre (RS), doutora em antropologia pela USP, autora de várias obras literárias infantis e infanto-juvenis, onde destacamos: Histórias da preta, Espelho dourado, Lendas da África Moderna, Mbira na beira do rio Zambeze, Benjamin filho da felicidade entre outros. Prêmio FNLIJ 1998, categoria Informativo. Livro: HISTÓRIAS DA PRETA (1998). Indicação ao Prêmio Jaboti 2011

Rosa Maria Tavares Andrade
Bióloga, educadora, apresentadora da TV Educativa e presidente do Conselho Executivo da Care Brasil. Livro publicado: “Aprovados – sobre educação e cursinhos pré-vestibulares e a população negra”.

Onde Comprar: Livraria Martins Fontes – R$ 46,60

Reprodução de capa

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Título: Tear Africano – Contos afrodescendentes
Autor: Henrique Cunha Junior
Editora Selo Negro
Sinopse
O tear africano de cada dia tece o pano e tece a trama da vida. Africanidades e afrodescendentes constituem um dos eixos fundamentais da construção do Brasil. Este livro reúne contos escritos durante um período de dez anos de militância do autor. Os contos buscam retratar uma visão da sociedade brasileira nas suas contradições étnicas. Quilombos e quilombolas figuram não só como símbolos de luta e vitória, mas também como portadores da sabedoria e dignos contribuidores para o saber da humanidade.

Henrique Cunha Jr.
Henrique Cunha Jr. nasceu em São Paulo, no bairro do Bexiga, em 1952. Passou a infância no tradicional bairro do Ipiranga, tendo estudado no Colégio Estadual Brasílio Machado. Formou-se em Engenharia Elétrica na USP e em Sociologia na UNESP de Araraquara. Mestre em História, cursou doutorado em Engenharia Elétrica na França. É Livre-docente pela Universidade de São Paulo e professor titular da Universidade Federal do Ceará, tendo também lecionado na USP.
Filho do conhecido militante da causa negra Henrique Cunha, foi criado na militância dos movimentos negros. Dirigiu grupos de teatro amador na década de 1970 e foi membro do Grupo Congada, de São Carlos-SP. Participou da fundação da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, tendo sido seu primeiro presidente.
Ficcionista bissexto, publicou poemas, um volume de escritos políticos e dois livros de contos, tendo também composto a peça de teatro Negros que Riem, encenada em São Paulo nos anos 80. Nesse período, escreveu o romance Sabah Buni, até hoje inédito – segundo consta, os originais foram extraviados.
Entre 1978 e 1981, participou dos primeiros números da série Cadernos negros.

Onde comprar: www.selonegro.com.br, Livraria Martins Fontes, Livraria Cultura – R$ 32,20

Reprodução de capa

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Título: Dicionário Escolar Afro-brasileiro
Autor: Nei Lopes
Editora Selo Negro
Sinopse
Esta obra procura colocar ao alcance do público escolar, em linguagem mais acessível, informações pertinentes ao seu universo, dando ênfase maior à luta contra o racismo no Brasil, por intermédio de suas organizações de militância e das iniciativas daí decorrentes. Referência imprescindível para estudantes e todos aqueles que desejam conhecer melhor a história do nosso país e resgatar a cultura africana que permeia nossas raízes.

Nei Lopes
Embora pouco presente sob os holofotes da grande mídia, Nei Lopes é hoje uma referência importante na cultura brasileira. Sambista, compositor popular, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, Nei Lopes é autor de uma vasta obra publicada em livros e assemelhados, na qual se destacam: “O samba, na realidade”; “Islamismo e negritude”; “Egungun – Ancestralidade africana no Brasil”; “Bantos, Malês e identidade negra”, entre outros.

Onde comprar: www.selonegro.com.br, Livraria Martins Fontes, Livraria Cultura – R$ 42,80

Comments: 1

  • Rosyane Silva outubro 11, 2012

    ótimas recomendações, a leitura infantil sobre a cultura negra,com certeza influenciará na auto estima e desenvolvimento escolar da criança!!! Quem le viaja!!!

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