“Há vários Brasis dentro de um mesmo país” – Victor O, músico da Martinica

Por Liliane Braga (Quisqueya Brasil)

No dia 12 de setembro, o músico Victor O, da Martinica, recebeu a kultafro momentos antes de subir ao palco do SESC Santo André para um dos shows da turnê promovida pela Aliança Francesa no Brasil. Victor cantou acompanhado de Julien Belloir (violão) e Joel Jacoulet (teclados), que também é dono do selo BCaribbean, que congrega diferentes artistas da ilha caribenha, representantes de diferentes vertentes musicais afro-diaspóricas.

Registrada em vídeo, a nossa conversa versou sobre a sua primeira visita ao Brasil e os desafios da carreira de um artista independente. O músico, que passou por cidades do Norte ao Sul do país, mostrou-se surpreso com as diferenças raciais e sociais que viu. Nas palavras de Victor, “há vários Brasis dentro de um mesmo país”.

Divulgação - Santo André, SP - Foto: Raoos Irie

Divulgação – Santo André, SP – Foto: Raoos Irie

Artista que compõe em inglês, francês e créole (variação linguística derivada da junção de francês, línguas nativas do Caribe e línguas africanas), suas canções abrangem temas da vida cotidiana: relacionamentos, política, sociedade… Victor fala do lugar de homem negro, mas assume uma postura “pós-racial”: “se eu vejo alguma atitude de que discordo, eu falo. Qualquer que seja o tema”.

Divulgação - Santo André, SP - Foto: Raoos Irie

Divulgação – Santo André, SP – Foto: Raoos Irie

Ainda assim, ele celebrou a eleição fictícia do primeiro presidente negro da França (da qual a Martinica é território além-mar, ou seja, país não emancipado) na faixa “Aboubacar 53% (Le Président)”  (assista aqui) – o vídeo, cinematográfico, vale o click no youtube – e, na canção “Black Magik Woman”, exaltou o amor do “eu lírico” do artista pela “mulher negra que tem ares de princesa”.

Era notável que o público presente ao show estava conhecendo naquele dia as músicas do álbum de estreia do artista, “Revolución Karibeana” (2009). Mas respondia prontamente aos diálogos com o cantor – que exaltava a participação da plateia nos coros e nas palmas. Ao final, a sua mistura de reggae, soul acoustique, slam, zouk e tradições antilhanas fez com que quase todos se levantassem das cadeiras. Como pedem as nossas heranças africanas, onde há música, há dança.

Divulgação - Santo André, SP - Foto: Raoos Irie

Divulgação – Santo André, SP – Foto: Raoos Irie

Antecipando o vídeo que virá para o site da kultafro em breve, publicamos aqui algumas fotos de momentos da nossa conversa com Victor, da apresentação do artista no SESC e do registro do encontro entre a banda e a “crew” que representou a kultafro.

A “crew” aqui é:

Liliane Braga – Quisqueya Brasil (produção, pauta e entrevista)

Washington Silva AKA* Birão Ramin ((vídeo) e fotos)

Raoni Diniz AKA* Raoos Irie ((vídeo) e fotos)

Delphine Fortier AKA* Madiñina (articuladora do encontro entre Victor O e Liliane
Braga)

Divulgação - Raoni Diniz com músicos da banda de Victor O, além de Liliane Braga e Washington Silva

Divulgação – Raoni Diniz com músicos da banda de Victor O, além de Liliane Braga e Washington Silva

*Acrônimo para “also known as” ou “também conhecido como” adotado, aqui, como referência às culturas urbano-diaspóricas de diferentes partes, que usa o inglês como língua-franca misturado às raízes culturais e identitárias ao redor do globo.

Comments: 1

  • Pedro Neto outubro 25, 2012

    Parabéns, Liliane.

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