Afro-Américas e Caribe, histórias, perspectivas e desenvolvimento

Por Luiz Paulo Lima

È fácil  e  recorrente identificar nas nossas rodas de conversas ,a falta de pautas que nos recoloquem como afro-latinos e caribenhos nos dias de hoje. Muito por conta da escassez  de informações cotidianas local e global , a  falta de interesses  sobre estas populações, suas histórias e posicionamentos .

Poucos imaginam que  nesse dois blocos, América Latina e Caribe, formam 33 países ,vivem 514 milhões de pessoas, 119 milhões delas são compostas por afro-descendentes.

Nos 13 países situados no  Caribe, a saber :Jamaica, Saint Kitts, Nevis, Dominica, Santa Luzia, Haiti, Granada, Guadalupe, Barbados, Antiga e Barbuda,  São .Vicente, Grenadines, Bahamas, vivem entre 84% e 98% de afro-descendentes.
O território físico brasileiro ocupa 47% da América Latina, faz divisa com 10 países, com diversidades étnicos-raciais  significativa nas  suas composições populacionais , múltiplas tradições culturais, com  históricos  de “apharteids” político, social e econômico, longe de responder aos objetivos de desenvolvimento independente, complementaridade econômica e social.

Podemos  visibilizar e complementar um pouco mais sobre dados estatísticos, como por exemplo ratificar  que  a  Argentina possuir 4,2% de afros-descendentes , Uruguai 8%,Equador 3%,Perú 5%,Venezuela 10%,Guiana Francesa 80%,Suriname 10%.
O termo “afro”  foi introduzido nos países latino-americanos pelos estudiosos e ativistas de organizações políticas negras na América Latina. Esse uso foi referendado na  III Conferência Mundial contra o Racismo  (Durban –Àfrica do Sul -2001), a partir daí tornou-se usual a adoção do termo afro-descendente,  nas linguagens destas  organizações e seus respectivos públicos..
O que esses  indicadores representam?  Ou podem representar ?

Aos olhos da sociologia, cultura é tudo que resulta da criação humana. São  ideias, crenças, costumes, leis, artefatos, conhecimentos  adquiridos a partir do convívio social local e ou fora dele..

O que temos em comum e histórico nas Américas e Caribe, são o legado cultural africano que se faz presente e a mobilização social de defensores dos direitos civis, iniciativas que  em momentos pontuais  apontam  para formação de redes nacionais e transacionais, com o objetivo de reduzir formas de intolerância e  proporcionar desenvolvimento social amplo das populações afros nestas  regiões.

Manuel Zapata Olivella/Divulgação

Nesse sentido a primeira referência  histórica brasileira no Século XX , se deu em 1974 com participação e liderança do ativista  dos direitos civis Abdias Nascimento, no VI Congresso Pan-Africano Dar-Es-Salaam na Tanzânia.

Em 1977,1980,1982 , foram  realizados três eventos continentais, chamados “Congresso da Cultura Negra das Américas”-, respectivamente em Cali,Colômbia com a liderança de Manuel Zapata de Olivella, no Panamá com Gerardo Maloney, e em São Paulo com Abdias Nascimento.

Dez anos após, mais um importante momento para as organizações afros da região, o Seminário Continental  sobre Racismo e Xenofobia, realizado na cidade de Montevidéu em 1994. Convocada pela entidade “Organizações Mundo Afro”, sob a liderança do ativista afro-uruguaio Jorge Romero Rodriguez coordenador político da Rede de Aliança Estratégica Afro-Latinoamérica e Caribe.

Abdias Nascimento/Divulgação

Na oportunidade participaram cento e trinta delegados de todos os países americanos, do norte e sul,cinco redes regionais :Andina, Cone Sul, Caribe, Norte América e Centro América.
Na década de 1990, surgem outras redes como a “Redes de Mulheres Afro -caribenhas e Afro -latinoamericanas, Afro -américa XXI, e a Iniciativa Global Afro-Latina e Caribenha (GALCI)
O que é importante destacar é que tais  iniciativas continuam acontecendo , embora  invisíveis  pelas grandes mídias, através de iniciativas e representações civis. A exemplo disso, foi realizado a partir de 2009, encontros sazonais  Ibero americanos de Ministros da Cultura, para um agenda comum sobre políticas públicas e desenvolvimentos criativos  e sustentáveis.

Roda de mulheres comemorando o Dia Internacional da Mulher Afro-America-Caribenha/Divulgação

Outra demonstração da mobilização da sociedade civil, ,foi a criação e estabelecido o  25 de julho como o “Dia Internacional  da Mulher Afro-latina americana e caribenha”, em 1992, portanto comemorou-se  este ano a sua 20º edição, confirmando  o seu ideal de tratar as políticas de ações afirmativas, promover a valorização e a identidade da mulher negra universal.

A Feira Preta, membro da Kultafro,  Coordenadoria de Assuntos da População Negra (Cone), Superintendência de Assuntos para as mulheres da Prefeitura de Salvado(,(SPM) , Mijiba em ação, grupo de mulheres do Grajaú Zona Sul de São Paulo, entre outras são protagonistas destas histórias atemporais, solidárias e persistentes na valorização da mulher no mundo , aproximações dos  povos e desenvolvimento de ações humanas e democráticas.

Modelos após o desfile no África REMIX,na Flaac- Festival Latino-americano e Africano de Arte e Cultura,na UNB (Universidade de Brasília)/Divulgação

Modelos após o desfile no África REMIX,na Flaac- Festival Latino-americano e Africano de Arte e Cultura,na UNB (Universidade de Brasília)/Divulgação

 

Luiz Paulo Lima

Luiz Paulo Lima

Jornalista, BK4 Comunicações

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