Economia Criativa: formas de aplicabilidade no cenário cultural e especificidades da cultura afro-brasileira

Por Semayat Oliveira

Em outubro de 2011, integrantes da rede kultafro se reuniram com Juarez Xavier, criador do Grupo Neo criativa– Núcleo de Estudos e Observação em Economia Criativa do Departamento de Comunicação Social da Unesp – para um workshop sobre o tema.

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Acompanhe um pouco da contribuição de Juarez Xavier para o campo da Economia Criativa com a pesquisa que desenvolve na Unesp:

Segundo Juarez, antes de dar início a um projeto, é preciso responder algumas perguntas. Qual o potencial da comunidade atingida, do que ela precisa e o que ela oferece? A partir dessas informações, é possível pensar em como desenvolver projetos criativos que gerem renda.

Para encontrar essas respostas, a dica do professor e pesquisador é olhar para alguns elementos chaves. Veja abaixo:

Patrimônio histórico: cadeia do turismo da área pretendida, festas populares, festas religiosas

Possibilidades artísticas: artes plásticas, urbanas, cênicas, dança, música

Design Funcional: arquitetura, tecnologias sociais e instrumentos sociais

Mídias: impressas, eletrônicas, digitais e radicais

“Em seguida, vem o planejamento estratégico, que envolve um plano de ação, o estado geral da arte, diagnósticos, logística e execução. Em resumo, uma cadeia criativa cultural envolve a identificação, o mapeamento, a conexão e expansão do projeto”, explica. 

Singularidade no Universo Afrodescendente

Juarez Xavier também compartilhou suas pesquisas e experiências com modelos de economia criativa em terreiros de candomblé, grupos de capoeira e escolas de samba, falou sobre o conceito e os desafios que cercam o desenvolvimento de economia criativa neste no cenário afro-brasileiro.

Segundo ele, “a junção da economia com a cultura e a tecnologia resulta em boas ideias para desenvolver um projeto de economia criativa. O cuidado deve estar no processo de construção, buscando estabelecer e articular redes com outros grupos e pessoas que potencializem a força do projeto”.

Conheça três aspectos da economia criativa:

Conceito Universal: economia que se baseia na produção da cultura e da inteligência criativa, gerando fonte de renda.

Sistema de arranjo produtivo local: grupos que desenvolvem produção criativa em rede. A escola de samba é um exemplo, desenvolvendo um trabalho criativo nas culturas urbanas.

Singularidade no Universo Afrodescendente: candomblé, capoeira e escolas de samba.

No caso dos três aspectos citados acima (candomblé, capoeira e escola de samba), o fator sustentabilidade é um dos mais desafiadores. Juarez explica que “os três grupos culturais são fortes na criatividade e na técnica, mas carecem no poder de conexão e disseminação, dificultando a geração de renda. Mas há três elementos fortes e que contribuem para a sustentabilidade desses grupos: oralidade, ancestralidade e simultaneidade”.

Entenda melhor os três elementos:

Oralidade: Esses grupos preservam tradições antigas através da oralidade.

Ancestralidade: Não se faz distinção entre idade e gênero.

Simultaneidade: O indivíduo pertence às duas sociedades: global e específica. Por exemplo, o indivíduo está na vida social e no candomblé.

Comments: 1

  • weverton fevereiro 12, 2013

    Muito interessante do ponto de vista cultural estamos bem avançado no que diz a geraçao de renda ,mais o que me preocupa e nos atemos somente nesta area, vista que a comunidade negra vai mais alem das ideologias culturais ,para chegamos a excelencia é necessario ser mais anbisioso como por exemplo:o congoles Verone Mankou,Bruna Battys e outros que foram alem da visao cultural nao é so na arte mais no mundo da tecnologia,na moda so assim vamos de fato conquista mais outros espaços que pra nos ainda nao somos muito atuantes

    Weverton lucas para kultafro.

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