Cerimônia de lançamento da kultafro

O saguão lotado da Funarte na noite de quarta-feira, dia 19 de setembro, dava indícios do sucesso do evento de lançamento da kultafro – rede de empreendedores, artistas e produtores de cultura negra.

Por Lau Francisco

Membros da kultafro - Foto: Samba Rock Na Veia

Membros da kultafro – Foto: Samba Rock Na Veia

Produtores e gestores de cultura, atores e atrizes, pesquisadores, representantes de entidades e consulados.Profissionais de toda a natureza prestigiaram o evento, em clima de grande confraternização e troca de informação, discussão de futuros projetos, parcerias. O reflexo dos objetivos de uma rede que nasceu justamente com esse foco: criar oportunidades, expandir os horizontes do mercado, criar oportunidades. No palco do auditório da Funarte, com cadeiras praticamente esgotadas, os mestres de cerimônia Rosyane Silva e Sidney Santiago, iniciaram a noite de gala chamando dois membros da kultafro ao palco. A primeira a subir foi Kelly Oliveira, mestra em Ciências Sociais, com especialização em antropologia urbana e estudos de gênero. Kelly abriu a noite com depoimento sobre a importância do nascimento de uma Rede que propõe o pensamento coletivo e a criação colaborativa.

Luiz Paulo Lima - Foto: Samba Rock Na Veia

Luiz Paulo Lima – Foto: Samba Rock Na Veia

O jornalista e produtor Luiz Paulo Lima também discorreu sobre a importância que a Rede tem para o mercado de cultura e como suas ações têm potencial para mudar o atual cenário. Subiu ao palco, na sequência, Calixto-Nego Júnior, que cuidou da criação do site. “O site tem a mesma ferramenta utilizada pelo Ministério da Cultura e também pelo Catraca Livre. Há um link que possibilita o cadastro de interessados em integrar a rede. Outra informação bem interessante que pode ser encontra no site é um mapa que engloba todos os membros e seus projetos, proporcionando uma visão geográfica dos projetos. Moro no Capão Redondo e a partir deste mapa conheci iniciativas que estavam do lado da minha casa, e, que antes, não conhecia”, explica Calixto.

Calixto-Nego Júnior apresenta funcionalidades do site kultafro - Foto: Samba Rock Na Veia

Calixto-Nego Júnior apresenta funcionalidades do site kultafro – Foto: Samba Rock Na Veia

Em seguida, foi chamado Pedro Molina, diretor do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, entidade que abrigou a kultafro nos últimos quase dois anos para seus debates (os Afrolabs) e as rodas de conversas, encontros estes que geraram o corpo, a alma e a mente da Rede. “Colaboramos com a kultafro em um momento muito especial porque todos os amigos desta Rede se revelaram parceiros. Pretendemos continuar esta parceria durante muitos anos, estamos orgulhosos por acompanhar esse amadurecimento”, disse Molina, completando seu pensamento. “Compartilhamos a mesma casa durante meses. Agora é hora de dar a independência para este filho”, completou o bem-humorado Molina, arrancando risadas da platéia. Outro a marcar presença no lançamento foi o sociólogo Athayde Motta, diretor executivo do Baobá -Fundo para Equidade Racial, outro parceiro da kultafro. Motta disse que não tem dúvidas de que a kultafro é uma conseqüência de todo um trabalho que foi desenvolvido nos últimos dois anos, pois, sempre defendeu a luta pelos direitos de acesso à cultura. “A ideia é de embarcarmos na onda, e não atrás dela”, diz Motta, em alusão à necessidade da produção cultural de matrizes negras conquistar mais visibilidade perante o cenário cultural não só do Estado, mas também no País. O sociólogo anunciou, inclusive, a primeira liberação de verbas para uma instituição cultural, a CEERT – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, que recebeu a quantia de R$ 10. 639.00. “Não é apenas uma doação, mas um esforço da comunidade negra de transformar em grande movimento nacional, mentes e corações”, afirmou. “Até o final do ano deveremos anunciar outros contemplados”, completou Motta.

Pedro Molina (Centro Cultural da Espanha) e Sidney Santiago (Os Crespos) - Foto: Samba Rock Na Veia

Pedro Molina (Centro Cultural da Espanha) e Sidney Santiago (Os Crespos) – Foto: Samba Rock Na Veia

Depois de Athayde Motta, informações preciosas e que contribuíram para uma visão geográfica da situação sócio-econômica da população negra. João Paulo Cunha, gerente do Instituto Data Popular, falou sobre a pesquisa realizada em parceria com o Fundo Baobá, estudo que revelou informações importantes em relação à população negra, como o aumento do nível de consumo de bens materiais, o crescimento no nível de escolaridade nos ensinos médio e universitário, entre outras conclusões. “ A informação é um ativo importante para os debates públicos. O objetivo deste estudo é fazer uma análise das transformações da população negra no país”, explicou. “Muitos avanços foram conquistados e são consideráveis na última década, mas ainda está longe de sanar a situação de exclusão. Por outro lado, a manutenção e o avanço dos progressos conquistados precisam ser mantidos”, prospectou Cunha.

Na sequência, os mestres de cerimônia chamaram ao palco Adriana Barbosa, diretora do Instituto Feira Preta, também membro da rede. “Depois de quase dois anos a kultafro está colocando a cara preta na rua em um momento em que muitas coisas importantes estão acontecendo, como a divulgação do primeiro plano de empreendedorismo negro no portal do Sebrae – Agência de Apoio ao Empreendedor e Pequeno Empresário”, afirmou Adriana, que prosseguiu revelando informações de relevância para o futuro de um mercado cultural que muito precisa ser estudado e compreendido; “Uma pesquisa realizada pela Consultoria DMRH/Cia. Talentos de São Paulo, revela que 6 em cada 10 jovens querem ter seu negócio, 50% dos 6 residem nas periferias e 49% são mulheres empreendedoras. As brasileiras já são as mais empreendedoras do mundo.

Sidney Santiago, Adriana Barbosa (centro) e Rosyane Silva - Foto: Samba Rock Na Veia

Sidney Santiago, Adriana Barbosa (centro) e Rosyane Silva – Foto: Samba Rock Na Veia

Segundo um estudo realizado em 2010 pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM) e pelo Sebrae, elas representam 49% dos negócios no Brasil”, afirmou. “O Estado de São Paulo tem muito o que provar. Só na kultafro, temos mais de 30 empreendimentos, todos pensando de forma colaborativa”.

Bukassa - Foto: Samba Rock Na Veia

Bukassa – Foto: Samba Rock Na Veia

Após as palavras da criadora da Feira Preta, foi exibido um vídeo, onde os membros da kultafro se apresentavam contando sobre quais áreas atuam e suas opiniões sobre a importância da chegada da rede ao mercado. Como não poderia deixar de ser (para a cultura negra), a cerimônia foi encerrada com um pocket show do cantor e compositor
Bukassa, que emocionou a platéia com sua voz doce e swingada, mostrando toda a criatividade dos ritmos africanos.

 

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