Bienal Internacional do Livro, Literatura Negra e Mercados

Por Luiz Paulo Lima

Segundo pesquisa realizada pela FIPE/USP – Fundação Instituto de pesquisas econômicas -, em 2011 os livros estiveram mais acessíveis aos olhos do mercado. Nesse ano, o setor faturou R$ 4,837 bilhões, um crescimento de 7,2% em relação ao ano anterior, constituindo um novo recorde ao saltar de 438 milhões de exemplares comercializados em 2010 para 470 milhões de livros em 2011.

Bienal Internacional do Livro

Bienal Internacional do Livro

Outros aspectos que valem ser ressaltados é o crescimento nos segmentos populares e a diversificação dos pontos de venda, além do protagonismo do governo como excelente comprador e distribuidor de livros.

De modo geral, foi necessária uma lei, a 10639/03, para os editores considerarem o repertório pautado na origem africana e seus desdobramentos no país – sobretudo pelos critérios relacionados às compras governamentais , extremamente significativas para as editoras.

Porém a pergunta que não quer calar: podemos enxergar um mercado para a literatura negra de qualidade, com predominância de escritores negros no conjunto dessas publicações?

Segundo a escritora Heloisa Pires que, a convite da CBL- Câmera Nacional do Livro, participou de uma mesa sobre Literatura Negra no “Salão de Ideias” da 22º Bienal Internacional do Livro em São Paulo, “historicamente a população negro-descendente esteve ausente em vários elos desta cadeia produtiva”. A autora afirma que, neste caso, “a exceção é a regra” e expõe a problemática do acesso à produção literária, caso de boa parcela dos brasileiros. “Mitos antes considerados, como o não interesse pela leitura, falta de dinheiro para a aquisição de livros ou autores sem a formação literária necessária, agiram de maneira perversa contra o desejo de essa parcela populacional fazer parte desse circuito”.

Mas não basta apenas incentivar a relação com livros sem considerar a veiculação de preconceitos em tantos deles. Falta, ainda, o ponto de vista negro, pouco chamado a responder tal demanda. Circular no universo da literatura é a demonstração da capacidade de transformar a memória em identidade, pois ela reafirma o ser na medida em que precisa adentrar no universo mítico para dar-se a conhecer o outro.

Nota:
Descontada a inflação, entre 2004 e 2011, as taxas de queda acumuladas no preço médio do livro vendido pelas editoras ao mercado significaram decréscimo real de 44,9%. O setor editorial estaria cumprindo o compromisso firmado com a sociedade brasileira com a aplicação de alíquota zero para as contribuições do PIS e da Confins para os livros, medida que vigora desde 2004.
Fonte: Revista Panorama/CBL Câmera Brasileira do Livro/nº 66-2012

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